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UE fracassa em dar resposta econômica comum na crise do coronavírus

·3 minuto de leitura
Mario Centeno dá coletiva de imprensa após uma reunião por videoconferência dos ministros das Finanças da UE em 4 de março de 2020, em Lisboa
Mario Centeno dá coletiva de imprensa após uma reunião por videoconferência dos ministros das Finanças da UE em 4 de março de 2020, em Lisboa

Os ministros das Finanças da União Europeia não conseguiram, nesta quarta-feira (8), chegar a um acordo sobre uma resposta econômica comum à pandemia de COVID-19, após uma noite de negociações em que os países do norte, especialmente Holanda, opuseram-se aos do sul, que exigem um esforço financeiro sem precedentes.

"Após 16 horas negociando, chegamos perto de um acordo, mas ainda não o alcançamos. Suspendi o Eurogrupo" e continuaremos "amanhã, quinta-feira", escreveu o ministro português e presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, em sua conta no Twitter.

A videoconferência dos ministros começou por volta das 16h30 (11h30 de Brasília) e durou a noite toda.

Segundo várias fontes europeias, as negociações fracassaram, devido à firmeza da Holanda, que rejeita o pedido da Itália sobre empréstimos para os países mais problemáticos dos fundos de resgate da zona do euro.

"Os holandeses foram muito duros. Sem eles, teríamos chegado a um acordo", disse uma fonte próxima às negociações, que descreveu suas exigências como "excessivas".

Esta reunião era um teste decisivo para a unidade dos 27, que continuam mostrando diferenças, aparentemente irreconciliáveis, após o fracasso da cúpula de chefes de Estado e de Governo em 26 de março dedicada a esta crise.

- "Resposta séria" -

Diante da pandemia, a resposta europeia se concentrará em três eixos que parecem obter o apoio dos ministros, afirmam várias fontes.

Em primeiro lugar, até 240 bilhões de euros em empréstimos do fundo de resgate do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Adicionado a este montante, 200 bilhões de euros mobilizados por meio do Banco Europeu de Investimento (BEI) em um fundo de garantia para empresas e até 100 bilhões de euros para apoiar o trabalho de meio período.

Este pacote de medidas é "o mais importante e o mais ambicioso já preparado pelo Eurogrupo", acrescentou o português, para quem "não se trata apenas de sobreviver ao vírus, mas de recuperar as economias".

Os países mais afetados pelo coronavírus, principalmente Itália e Espanha, insistem na criação de um instrumento de dívida compartilhada - conhecido como "coronabônus", ou "eurobonds" - que visa a relançar a economia assim que a crise passar.

Esta proposta é apoiada por França, Grécia, Malta, Luxemburgo e Irlanda, de acordo com diferentes fontes ouvidas pela AFP.

"Os eurobonds representam uma resposta séria e apropriada", insistiu o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, cujo país é o mais atingido na Europa (mais de 17.127 mortes), na segunda-feira à noite.

Espanha e Itália, confrontadas à oposição dos países do norte (Alemanha e Holanda principalmente), causaram o fracasso da cúpula no final de março.

A mutualização da dívida é, de fato, uma linha vermelha para Berlim e Haia, que se recusam a se comprometer com um empréstimo conjunto com Estados fortemente endividados, que consideram maus administradores.

Para o ministro das Finanças da Holanda, Wopke Hoekstra, os "coronabônus" causariam mais problemas do que soluções para revitalizar a economia.

"A Holanda é contra a ideia dos eurobonds", tuitou Hoekstra nesta quarta-feira.

Seu colega alemão, Olaf Scholz, também reiterou sua rejeição a essa medida e insistiu em que a reativação da economia europeia é possível "com ferramentas muito clássicas", como, "por exemplo, o orçamento da União Europeia".

Dinamarca, Áustria, Suécia e Estados Bálticos estão deste lado, segundo uma fonte europeia.

Em vez de debater a hipotética dívida compartilhada, os países do norte preferem se concentrar agora nos instrumentos existentes para combater o golpe econômico, como o MEE, criado em 2012 durante a crise da dívida na zona do euro.

O MEE pode conceder empréstimos a um Estado em dificuldade que atinja 2% do Produto Interno Bruto (PIB), ou até 240 bilhões de euros.