Mercado abrirá em 8 h 29 min

UE diz não temer ameaças protecionistas e promete se defender

(Arquivo) A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmstrom

A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, garantiu nesta segunda-feira (12) que a União Europeia (UE) não tem "medo" das ameaças protecionistas do presidente americano, Donald Trump, aos produtos siderúrgicos europeus, e assegurou que o bloco se defenderá.

"Recentemente, vimos como [o comércio] é usado como uma arma para nos ameaçarem e nos intimidarem, mas não temos medo. Nós nos defenderemos dessas pessoas", afirmou Malmström durante um discurso em Bruxelas sobre o comércio sustentável.

Desde que Trump anunciou o aumento das barreiras tarifárias de até 25% para o aço e até 10% para o alumínio, que devem entrar em vigor na próxima semana, a UE tenta fazer Washington excluir as exportações europeias dessa medida, como fez com México e Canadá.

Malmström se reuniu neste sábado com o representante americano de Comércio, Robert Lighthizer, na presença do ministro de Economia japonês Hiroshige Seko, para discussões infrutíferas. "Continuamos esperando esclarecimentos", admitiu nesta segunda a comissária.

As tentativas europeias não tiveram sucesso até o momento.

Para evitar o aumento de tarifas, Trump pediu à UE, no sábado, que reduza suas "horríveis barreiras e tarifas aos produtos americanos" que entram no bloco, chegando a ameaçar com aumento de impostos sobre seus veículos.

Em um novo tuíte nesta segunda, o presidente americano garantiu que seu secretário de Comércio, Wilbur Ross, discutirá com representantes europeus "a eliminação de importantes barreiras e tarifas aplicadas contra os Estados Unidos".

Fonte da Comissão afirmaram à AFP que até agora não receberam nenhum convite.

- Alemanha quer evitar guerra comercial -

A Alemanha, sétimo exportador de aço e alumínio aos Estados Unidos, está no alvo de Trump desde sua chegada ao poder por seu excedente comercial - de 21,3 bilhões de euros em janeiro - e seus gastos militares considerados insuficientes na Otan.

O ministro alemão Peter Altmaier pediu para "evitar uma guerra comercial", defendendo em Bruxelas "um comércio livre e justo". Estados Unidos e UE "não podem entrar, de forma alguma, em uma escalada comercial", alertou seu equivalente espanhol, Román Escolano.

Washington denuncia especialmente as tarifas de importação de 10% impostos pela UE aos veículos, especialmente quando americanos chegam a 2,5%. Mas um porta-voz do Executivo comunitário Enrico Brivio apontou nesta segunda-feira que as tarifas entre ambos são de cerca de 3%.

"Os Estados Unidos têm tarifas muito altas, de 25%, para caminhões e vans", explicou a comissária europeia de Comércio, lembrando que as negociações entre Washington e Bruxelas sobre um acordo de livre-comércio conhecido como TTIP, paralisadas após a chegada Trump ao poder, buscava eliminar essas tarifas.

A UE, que exportou 5,3 bilhões de euros em aço e 1,1 bilhão em alumínio aos Estados Unidos em 2017, continua a defender "o diálogo" para tentar ficar de fora das medidas, mas, se forem confirmadas, os europeus já preparam uma estratégia de resposta.

- Maior risco -

"O maior risco seria não correr nenhum risco, nem responder" à decisão do governo de Trump, já que "poderia dar a impressão de que somos fracos", disse o ministro francês de Economia, Bruno Le Maire, em um ato da associação europeia Eurofer.

A estratégia europeia passa por aumentar a tributação aduaneira sobre emblemáticos produtos americanos, assim como pela adoção de medidas de salvaguarda para proteger a indústria siderúrgica europeia.

Malmström também anunciou a vontade da UE de se apoiar nos países, com os quais tem um acordo de livre-comércio, ou está em fase de negociação - como Canadá, Japão, México, ou os países do Mercosul - para enfrentar o protecionismo e "defender um comércio aberto, que beneficie a todos".

Até a China, o maior produtor mundial de aço, mas que exporta pouco aos Estados Unidos, também criticou as medidas de Washington e alertou que tomará as "medidas necessárias" para defender seus exportadores.

Pequim, contudo, também é alvo de críticas.

Em situação de excesso de capacidade, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, acusou as autoridades chinesas, criticadas por seus parceiros comerciais por subsidiar sua indústria siderúrgica e inundar os mercados mundiais com seu aço e alumínio baratos.