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UE adverte Reino Unido por protocolo de Irlanda do Norte

(Arquivo) O vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, em Londres, em 11 de fevereiro de 2022 (AFP/Rob Pinney) (Rob Pinney)

A União Europeia (UE) advertiu o governo britânico nesta quinta-feira (12) afirmando que eventuais ações unilaterais que afetem o protocolo da Irlanda do Norte serão consideradas inaceitáveis e que o tema continua sendo motivo de "grande preocupação".

O vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, afirmou que "continua sendo motivo de grande preocupação que o governo do Reino Unido tenha a intenção de seguir o caminho da ação unilateral".

Na opinião do influente Sefcovic, que defendeu "soluções comuns", uma ação unilateral que impeça a aplicação do Protocolo "simplesmente não é aceitável".

"Isso abalaria a confiança entre UE e Reino Unido" e a paz na província, frisou.

Esse gesto também minaria "as condições que são essenciais para que a Irlanda do Norte continue tendo acesso ao mercado único de bens da UE", acrescenta o comunicado.

"Trabalhar construtivamente, lado a lado, é de suma importância", frisou.

Sefcovic destaca que, em fevereiro deste ano, a UE propôs ao Reino Unido um "calendário ambicioso" de discussões sobre o assunto.

"Ainda estamos esperando uma resposta do lado britânico", completou.

Sefcovic emitiu esta declaração após uma conversa por telefone com a ministra britânica das Relações Exteriores, Liz Truss.

- 'Reino Unido vai agir' -

No telefonema, o governo britânico disse que "não terá outra opção a não ser agir" unilateralmente, se a UE não mostrar a "flexibilidade necessária" para modificar os acordos aduaneiros pós-Brexit na Irlanda do Norte, hoje politicamente paralisada pelos unionistas.

Conforme nota divulgada pela Chancelaria britânica, a ministra Liz Truss defendeu que "a situação na Irlanda do Norte é uma questão de paz e segurança interna para o Reino Unido".

"Se a UE não mostrar a flexibilidade necessária para ajudar a resolver estas questões, então, como governo responsável, não teremos outra opção a não ser agir", acrescenta o comunicado.

Afirmando querer proteger "a paz e a estabilidade" na Irlanda do Norte, Truss pediu à UE que seja "mais pragmática" e lamentou que Sefcovic tenha afirmado que "não há margem para ampliar o mandato negociador da UE, nem para introduzir novas propostas".

O governo de Boris Johnson quer renegociar em profundidade o chamado "protocolo da Irlanda do Norte", assinado com Bruxelas quando o Reino Unido deixou a UE. As autoridades do bloco europeu estão dispostas, porém, a fazer apenas "ajustes".

Se as negociações, iniciadas há meses, não avançarem, Londres ameaça suspender unilateralmente parte do texto. Esta medida pode desencadear graves retaliações comerciais por parte da UE.

Segundo o jornal "The Times", Londres prevê anunciar medidas na próxima semana. Entre elas, está suspender a obrigação de inspecionar as mercadorias que chegam à Irlanda do Norte procedentes do restante do Reino Unido.

Esse Protocolo foi negociado em duras discussões entre Bruxelas e Londres na esteira do Brexit, como forma de evitar a implementação de uma fronteira física entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

Esta semana, porém, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou que o protocolo é "insustentável em sua forma atual".

A crise se tornou evidente depois das recentes eleições, marcadas pela vitória do partido republicano Sinn Fein, defensor da reunificação do norte com o restante da Irlanda. A sigla deve formar um governo regional junto com os unionistas do DUP, por força dos acordos da Sexta-Feira Santa de 1998. As três décadas deste sangrento conflito deixaram 3.500 mortos.

O DUP se nega a participar do governo, se não houver modificações neste Protocolo, um complexo conjunto de normas que rege as relações comerciais entre a República da Irlanda (que faz parte da UE) e a província britânica.

ahg/mar/tt

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