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UE abre caminho para fusão entre PSA e Fiat-Chrysler

Daniel ARONSSOHN
·3 minuto de leitura
(Arquivo) Logos da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e da PSA (Peugeot Citroen)

A União Europeia (UE) retirou nesta segunda-feira (21) uma das últimas travas à fusão dos grupos francês PSA (Peugeot, Citroën) e ítalo-americano Fiat Chrysler (FCA), o que resultará na quarta maior "holding" automobilística do mundo, ao autorizar o casamento que deve ser consumado no início de 2021.

A autorização foi concedida sob a condição de que os grupos respeitem completamente os compromissos assumidos para preservar a concorrência no setor de veículos utilitários pequenos.

As duas gigantes se comprometeram, em particular, a ampliar o acordo de cooperação entre PSA e Toyota para os utilitários leves. A PSA já fabrica para a empresa japonesa veículos utilitários que são vendidos na UE.

O volume de veículos fabricados para a Toyota aumentará e o preço será reduzido ao grupo japonês. O mesmo acontecerá com peças e acessórios.

PSA e FCA também terão de facilitar o acesso das concorrentes a suas redes de oficinas de reparos e manutenção para este tipo de veículos, destaca a Comissão Europeia em um comunicado.

"Estamos em condições de autorizar a fusão entre a Fiat Chrysler e a Peugeot SA, pois seus compromissos facilitarão a entrada e a expansão no mercado das caminhonetes comerciais leves. Nos outros mercados em que as duas fabricantes exercem suas atividades, a concorrência será mantida após a fusão", afirmou Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão responsável pela Concorrência.

Anunciada no fim de 2019, a união entre PSA e FCA resultará na criação do quarto maior grupo automobilístico mundial em termos de volume (8,7 milhões de veículos vendidos no ano passado) e o terceiro em faturamento, com marcas emblemáticas como Peugeot, Citroën, Opel, Jeep, Alfa Romeo e Maserati.

As montadoras pretendem concluir o projeto de fusão no primeiro trimestre de 2021. O novo grupo, com o nome Stellantis, terá mais de 400.000 funcionários e um faturamento de 167 bilhões de euros (203,24 bilhões de dólares), com base nos números de 2019, superado apenas pela Toyota e pela alemã Volkswagen.

A Comissão Europeia fez uma investigação profunda sobre o projeto.

Depois de ouvir muitas opiniões de concorrentes e clientes, a Comissão estimou que a operação poderia afetar a concorrência no mercado dos pequenos utilitários em nove países europeus (incluindo França, Itália, Polônia, Bélgica e Portugal), devido às cotas elevadas de vendas acumuladas pelos dois sócios.

Sem modificações, o projeto, notificado inicialmente em 8 de maio de 2020 à autoridade da concorrência, "provavelmente teria provocado um aumento dos preços aos clientes", afirma o Executivo europeu.

Campeã dos veículos utilitários, a PSA dominou em 2019 mais de 25% do mercado, muito lucrativo no continente europeu. O grupo Fiat soma, por sua vez, 9%. Portanto, a nova empresa acumularia mais de 34% do mercado, o dobro da número 2, Renault, com 16,4%.

Bruxelas considera, porém, que os compromissos propostos pelos dois grupos no fim de setembro afastam as dúvidas.

"A operação, modificada, não implicaria um problema de concorrência", destaca a Comissão.

Em um comunicado, a FCA e o grupo PSA afirmaram que "receberam calorosamente a aprovação da fusão pela Comissão Europeia".

O "matrimônio" ainda deve ser formalmente aprovado em uma reunião geral extraordinária dos acionistas, em 4 de janeiro de 2021.

O projeto se justifica como consequência das revoluções tecnológicas em curso na indústria automotiva (veículos elétricos, digitalização, direção autônoma), o que exige alcançar um tamanho "crítico" para amortizar de maneira melhor os grandes investimentos necessários.

PSA e Fiat calculam que a união permitirá economizar quase 5 bilhões de euros por ano.

A nova empresa terá sede na Holanda, mas a cotação continuará nas Bolsas de Paris, Milão e Nova York.

John Elkann, atual presidente da FCA e herdeiro da família fundadora, os Agnelli, lideraria o novo Conselho de Administração, enquanto Carlos Tavares, presidente da direção da PSA, seria o diretor-geral do novo grupo.

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