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Uber sofre processo porque estaria discriminando motoristas que não são brancos

Rui Maciel
·5 minuto de leitura

Como o Uber não deve ter problemas suficientes para lidar (atenção: contém ironia), aí vai mais um: a empresa agora está sendo processada por, supostamente, discriminar motoristas que não são brancos. A ação se concentra no seu sistema de classificação por estrelas, que permite aos passageiros pontuar os motoristas em uma escala de um a cinco, o que pode levar ao descadastramento dos condutores da plataforma, caso os mesmos não mantenham uma classificação alta o suficiente.

O processo, aberto na última segunda-feira (26), diz que os motoristas não brancos costumam ser expulsos da plataforma, mesmo quando as queixas parecem ser racistas. A ação coletiva proposta foi apresentada em um tribunal federal no Distrito Norte da Califórnia, em nome do ex-motorista do Uber Thomas Liu. Ele acusa o Uber de violar a Lei dos Direitos Civis dos EUA. Quatro anos atrás, Liu apresentou sua reclamação pela primeira vez à Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA, que não tomou uma decisão sobre a reclamação e, em vez disso, o autorizou a prosseguir com o processo.

"O uso do sistema de classificação por estrelas para demitir motoristas pelo Uber constitui discriminação ilegal, com base na raça, tanto porque tem um impacto diferente sobre motoristas não brancos, quanto porque o Uber está ciente de que os passageiros são propensos a discriminar em sua avaliação dos motoristas", diz a reclamação. "Mas o Uber continuou a usar este sistema."

As reclamações dos motoristas sobre o sistema de avaliação não são recentes. Há muito, eles se queixam de serem expulsos da plataforma do Uber por baixa audiência ou por coisas que não fizeram, como direção imprudente ou bebida alcoólica. Em entrevista ao site CNET, Shannon Powell, ex-condutor da Uber, disse que ele foi desativado sob alegações de que "pode ​​ter dirigido sob a influência de álcool", algo que ele provou ser falso com um teste de saliva e habilidades básicas. Mesmo mantendo uma alta classificação de estrelas, ele disse que ainda receberia reclamações discriminatórias dos passageiros sobre a maneira como se vestia ou falava.

A maioria dos motoristas do Uber nos Estados Unidos é formada pessoas de cor, segundo dados divulgados pela empresa. Um estudo separado da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, descobriu que 78% dos motoristas de Uber e Lyft em San Francisco são pessoas de cor.

Liu, que mora em San Diego, disse que foi desativado da Uber depois que sua classificação média por estrelas caiu abaixo da nota mínima, que é de 4,6. Liu é havaiano, tem ascendência asiática e disse que fala com um leve sotaque. Na ação judicial, ele afirma que os passageiros podem ser hostis e podem comentar sobre seu sotaque. Ele acredita que o preconceito racial influenciou as classificações de alguns passageiros e que o sistema do Uber de usar as classificações dos clientes para tomar decisões de emprego é discriminatório.

"Ao longo de sua história, o Uber tomou decisões de demissão com base em um sistema que sabe estar envenenado com discriminação racial", disse Shannon Liss-Riordan, principal advogada do processo, que abriu várias outras ações trabalhistas em nome de trabalhadores da plataforma de corridas. "O Uber diz que ajudou a fornecer oportunidades para pessoas de cor, mas suas práticas - tanto negando proteções salariais, quanto perpetuando um sistema discriminatório para demissão de motoristas - causam danos específicos às pessoas de cor."

Processo em péssima hora

O processo surge no momento em que o Uber e o Lyft estão envolvidos em um processo com o estado da Califórnia sobre as condições trabalhistas de seus motoristas. O estado diz que as empresas estão violando a lei AB5 ao não classificar seus condutores como empregados e fornecer benefícios trabalhistas. Ao mesmo tempo, o Uber, Lyft e outras empresas da economia de apps vêm patrocinando a Proposição 22, uma campanha eleitoral de US$ 200 milhões no estado, que os isentaria dessa lei.

A campanha da Proposta 22 veio com uma série de anúncios, comerciais, malas diretas e até mesmo seu próprio processo movido por motoristas a favor dela . As empresas também divulgaram o apoio de comunidades negras à medida eleitoral, ao mesmo tempo que os registros públicos mostram que essas companhias pagaram, discretamente, US$ 95 mil a uma empresa de consultoria dirigida pelo presidente da filial californiana da NAACP - Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, uma das mais antigas e mais influentes instituições a favor dos direitos civis das minorias nos Estados Unidos.

Muitos motoristas dizem que ser classificado como funcionário ajudará com os problemas de discriminação, porque eles terão mais proteção trabalhista. Cherri Murphy, ex-condutora da Lyft e organizadora do grupo de motoristas Gig Workers Rising, disse que, como mulher negra, ela sofreu discriminação ao dirigir e a Proposta 22 não resolverá isso.

"A resposta do Uber e do Lyft - promover a Proposta 22 - não é a resposta", disse Murphy em um comunicado. "A medida eleitoral enfraquece as proteções ao emprego na Califórnia e deixaria centenas de milhares de trabalhadores desprotegidos."

O que o Uber diz

Um porta-voz do Uber disse que a empresa tomou medidas para reduzir o preconceito em sua plataforma, como pedir mais informações aos passageiros caso eles avaliem os motoristas com menos de cinco estrelas. Além disso, a companhia removeu as classificações referentes a problemas fora do controle dos condutores, como tráfego.

Em um e-mail enviado site CNET, o porta-voz da Uber chamou o processo de Thomas Liu de "frágil" e disse que "não pode desviar a atenção do simples fato de que o compartilhamento de caronas reduziu muito o preconceito para motoristas e passageiros, que agora têm acesso mais justo e equitativo ao trabalho e transporte do que nunca".

Fonte: Canaltech

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