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Uber perde licença para funcionar em Londres

Felipe Demartini

A Uber perdeu sua licença para operar em Londres, capital da Inglaterra, depois que a administração municipal expressou suas graves preocupações quanto à segurança dos usuários do serviço. De acordo com as autoridades de trânsito da cidade, mais de 14 mil corridas foram feitas por motoristas em situação irregular, enquanto tantas outras contaram com motoristas que já haviam sido denunciados por comportamento inaceitável, de acordo com os termos de serviço, mas continuavam trabalhando normalmente por meio do aplicativo.

A perda da licença, na realidade, é a decorrência de um período de extensão pelo qual a empresa vinha passando, já que a suspensão veio, originalmente, em setembro de 2017. Na época, a empresa alegou que precisaria de algum tempo para resolver as falhas apontadas pelas autoridades londrinas e recebeu uma permissão temporária de 15 meses, que se encerrou em setembro, mas foi estendida por mais dois meses por decisão judicial.

A leniência, entretanto, parece ter acabado agora, com as autoridades decidindo não dar mais prazos para a adequação da Uber. De acordo com a decisão emitida pelo departamento de transito londrino, a Uber efetivamente resolveu alguns dos problemas apontados pelo governo, mas deixou de abordar a maioria deles, o que não inspirou confiança nos legisladores de que as falhas deixarão de acontecer. A ordem de não renovação da licença, então, foi dada em prol da segurança dos passageiros.

As autoridades citaram como alarmante o fato de que, pelo menos, 14 mil corridas realizadas pelo serviço nos últimos dois anos foram feitas por motoristas fora das normas, com a maioria dos casos sendo de pessoas usando o cadastro de terceiros. Em uma falha de segurança já resolvida pela Uber, motoristas poderiam mudar suas fotos de perfil sem checagem pela empresa, o que teria levado ao aluguel ou empréstimo irregular de contas de motoristas por condutores não licenciados.

Outros casos de irregularidades também foram citados, como a demora da empresa em realizar checagens de antecedentes criminais enquanto parceiros já estavam trabalhando ou um caso recente, do final de outubro, em que uma passageira foi assediada. A investigação policial descobriu que o motorista não só havia tido sua licença suspensa na plataforma, mas continuava trabalhando com ela, como respondia a um processo criminal por distribuição de pornografia infantil.

O diretor regional da Uber, Jamie Heywood, disse que a decisão do departamento de trânsito de Londres é errada e que a empresa vai recorrer. Ele afirma que o aplicativo está definindo o padrão em termos de segurança, com suas normas sendo, inclusive, aplicadas por outros aplicativos semelhantes, e espera que a prefeitura reveja a questão em prol dos três milhões de passageiros e 45 mil motoristas que dependem da empresa para manterem suas rotinas diárias e o sustento de suas famílias.

Além do recurso da própria Uber, o governo londrino também encara as demandas da União dos Trabalhadores Independentes da Grã Bretanha (IWGB, na sigla em inglês), sindicato que, entre outros setores, representa motoristas da Uber no país. Por mais que a organização não critique diretamente a decisão do departamento de trânsito, ela aponta a suspensão imediata como extremamente danosa às dezenas de milhares de motoristas que, de repente, se verão sem emprego. Ela espera um acordo com a prefeitura da cidade, onde um plano para proteger os condutores seja desenhado.

O principal ponto, para eles, é o fato de que os parceiros podem, de repente, se verem sem fonte de renda, mas ainda tendo de pagar alugueis de veículos ou outras despesas relacionadas à manutenção dos carros que operavam pela Uber. A IWGB taxou a decisão como uma bomba e espera chegar a um meio termo com a empresa e a administração municipal.

Fonte: Canaltech

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