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Uber agiu para influenciar políticos e mudar leis pelo mundo, revela vazamento

Vazamento de arquivos internos da Uber revelou as estratégias usadas pela empresa para garantir sua expansão global, como o lobby junto a políticos e ações coordenadas para fazer países mudarem a legislação. A revelação faz parte de uma ação chamada Uber Files e contempla mais de 124 mil documentos produzidos entre 2013 e 2017 e vazados para o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ).

O vazamento mostra como a Uber tentou ganhar o apoio das autoridades mundiais ao manter uma atuação forte junto a primeiros-ministros, presidentes, senadores e deputados, empresários bilionários, oligarcas e "barões da mídia". Memorandos, apresentações, e-mails, mensagens trocadas por apps de conversas (como WhatsApp e iMessage) fazem parte do acervo.

Matérias de veículos de imprensa do mundo inteiro mostram conexões entre executivos da empresa de transportes e autoridades. Essa aproximação teria sido feita ao nível global para conseguir espaço inexistente na maioria dos países, onde os táxis mantinham o monopólio do transporte particular de passageiros.

Vale lembrar que logo no começo, a Uber se vendia como uma empresa de "economia criativa", nas quais pessoas comuns poderiam dar caronas para outras. Quando o negócio começou a crescer, foi preciso dar essa "virada de chave" para profissionalizar o serviço, que obviamente começou a incomodar várias categorias do setor de transportes.

Revelações mundiais sobre a Uber

Os documentos mostram ao menos seis líderes mundiais na mira da empresa para acelerar o lobby em seus países: o ex-vice-presidente estadunidense Joe Biden (atual presidente), o então ministro da Economia da França Emmanuel Macron (hoje presidente francês) e o então primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu.

Segundo o jornal The Washington Post, a companhia tinha até um botão de desligamento total, chamado kill switch, para desativar os sistemas da empresa e impedir possíveis investigações. Isto teria sido criado porque a Uber sabia da dificuldade em enfrentar a "indústria global de táxis" e dos ataques violentos aos motoristas — o que, segundo o jornal norte-americano, teria sido usado para alavancar a agenda.

O Post diz que a empresa chegou a criar um manual no qual orientava os funcionários a nunca "deixar os reguladores sozinhos". Essa seria uma suposta estratégia para convencer os técnicos a sempre olharem para o lado da Uber, já que seriam influenciados por eles a todo o momento.

Uma reportagem da rede britânica BBC revelou uma troca de mensagens entre Macron e o CEO da Uber na qual o político se comprometeu a reformar as leis da França em favor da empresa. “Vou reunir todo mundo na próxima semana e preparar uma reforma para corrigir a lei”, escreveu Macron em junho de 2015. Meses depois, o ministro assinou uma legislação regulamentando o cadastro de motoristas para a empresa americana.

O texto mostra também uma ex-comissária da União Europeia, Neelie Kroes, negociando para ingressar no conselho consultivo da Uber antes de deixar o cargo — ela teria até feito um "lobby informal" para empresa antes de entrar. Isso teria contribuído para influenciar várias nações europeias a mudarem leis para aceitar o transporte por aplicativo.

O que diz a Uber

No site oficial, a Uber se justificou sobre o vazamento e disse ter passado de uma "era de confronto para uma de colaboração". Isso seria fruto da mudança no comando a empresa, que trocou o fundador Travis Kalanick pelo atual CEO Dara Khosrowshahi em 2017. Os executivos dizem que não existe razão para dar desculpas para comportamentos passados não alinhados com valores atuais.

A companhia admitiu os erros e classificou o caso como um dos "mais infames acertos de contas da história dos EUA corporativo". Isso teria levado a uma série de ações judiciais, investigações governamentais e a demissão de vários executivos seniores. "Quando dizemos que a Uber é uma empresa diferente hoje, queremos dizer literalmente: 90% dos atuais funcionários da Uber entraram depois que Dara se tornou CEO", explicou o comunicado.

A polêmica está sendo noticiada por veículos do mundo inteiro e já pode ser comparada ao Facebook Papers, conjunto de documentos da Meta que mostravam as estratégias da gigante das mídias sociais. Na ocasião, o vazamento também revelou práticas questionáveis sobre resultados de pesquisas, propagandas e outras atividades da rede social.

O ICIJ engloba mais de 140 jornais, estações de rádio, emissoras de TV e meios de comunicação online, como o The Washington Post, Le Monde, BBC, El Pais, The Guardian, Asahi Shimbun, Canadian Broadcasting Corp., Australian Broadcasting Corp. e outras. Há também pequenas organizações regionais de jornalismo sem fins lucrativos baseadas na Europa, América do Norte, África, Ásia e América Latina.

Fonte: Canaltech

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