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Twitter vai mudar função de tuítes por áudio para contemplar surdos

Rafael Arbulu

A função de tuítes por áudio revelada pelo Twitter nesta semana nem fez a sua estreia por completo — o recurso ainda está sendo disponibilizado aos poucos para a base e, por ora, está disponível apenas para o iOS —, mas já está causando uma dor de cabeça à rede social de microblogs. Basicamente, a novidade acabou expondo um problema de gestão interna.

Os áudios via Twitter são um novo recurso que permitem ao usuário capturar 140 segundos de gravação sonora, publicando-o como um tuíte. A função foi recebida pela comunidade de forma divertida, desde pessoas prometendo reviver o famoso “gemidão do whats” até gente querendo segurar o refrão de “Galope(eeeeeeeee)ira” por todo o limite da gravação.

Função de enviar áudios pelo Twitter foi inaugurada em caráter de teste no começo desta semana, mas já traz reclamações por não oferecer recursos de acessibilidades para deficientes auditivos (Captura de Imagem: Ariane Velasco/Canaltech)

Internamente, porém, a história é outra: o Twitter não possui um time dedicado para implementar a função, dependendo exclusivamente de funcionários de outras áreas que, em caráter voluntário, trabalham além de suas designações para fazer o recurso funcionar plenamente. Isso é um problema que acabou sendo exposto por usuários que dependem de recursos de acessibilidade para usar as redes sociais: em especial, pessoas com deficiência auditiva, que ressaltaram à empresa que os “audio tweets” não trazem legenda, efetivamente excluindo-os do novo recurso.

Diante dos questionamentos, Andrew Hayward, um engenheiro de software do Twitter, revelou a ausência de um time específico para a função, o que poderia sanar a questão da acessibilidade.

Questionado pelo jornalista britânico (e surdo) Liam O’Dell, o perfil de suporte do Twitter disse que a ausência de recursos de acessibilidade se deu por esta ser uma versão primária da nova função, tecnicamente ainda em teste. A justificativa, porém, não foi muito bem recebida. Disse o próprio O’Dell: “Com todo o respeito, Twitter, descrever essa versão do recurso como ‘primária’ para compensar o fato de que ela atualmente não é acessível (mas pode vir a ser em versões posteriores) não é o suficiente. A acessibilidade deveria ser levada em consideração desde o início, não como um pensamento a vir depois”.

O jornalista ainda ressaltou que se preocupa com o fato de que, se a função de tuítes por áudio acabar se firmando, usuários com impedimentos auditivos podem acabar sendo excluídos dela. Outros comentaristas apontaram, ainda, que aplicações de outras empresas contam com recursos de acessibilidade variados — surdez incluída: YouTube, Facebook, Zoom e Snapchat contam com legendas em seus vídeos.


Depois do feedback desfavorável da comunidade, um porta-voz do Twitter confirmou ao The Verge, via e-mail, que a empresa está buscando profissionais para criar um time mais dedicado, incluindo o desenvolvimento de trabalhos para públicos com deficiência.

“No presente momento, há grupos e indivíduos por toda a empresa que apoiam nossos trabalhos com acessibilidade”, diz o comunicado, citando as contas @TwitterA11y e @TwitterAble como referência. “Nós estamos estudando como podemos criar um grupo mais dedicado para se concentrar nas ferramentas e auxílio de acessibilidade por todos os nossos produtos. Erramos com os tuítes por voz, e nos comprometemos a sermos melhores – tornar essa função mais acessível, bem como todas as funções do futuro. Estamos constantemente revisando tanto a funcionalidade de nossos produtos como os processos internos que os governam; vamos compartilhar nosso progresso nessa área”.

Fonte: Canaltech