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Twitch: streamers relatam sufoco após redução no preço de subs

·7 min de leitura

“Desesperador”, “frustrante” e “angustiante” foram alguns dos adjetivos que o Canaltech ouviu de streamers pequenos e médios, afetados pela redução de repasses de inscrições (subs) da Twitch, que em novembro completa três meses. A empresa prometeu rendas maiores aos criadores, mas os relatos são de ganhos caindo pela metade.

“Tentaram solucionar um problema dando dois passos para trás”, opinou Ricardo “Rik” Santiago à reportagem. Editor e criador de conteúdo, ele fazia lives há quatro anos na plataforma, principalmente nos finais de semana, em que jogava games variados, se fantasiava e brincava com seus espectadores. Porém, ao ver seus ganhos na Twitch despencarem, os quais correspondiam a 70% da sua renda mensal, ele desistiu de fazer transmissões na plataforma. “Eu estava recebendo três vezes menos. Não iria dar certo”, disse.

Essa redução de repasses aos criadores veio aliada à queda dos preços para usuários se inscreverem (dar sub) no final de julho. Para aqueles que não sabem, as inscrições são uma das principais formas do usuário apoiar o criador durante um mês, em troca de brindes como emotes personalizados, distintivos especiais e a isenção de propagandas. A mudança faz parte de uma estratégia da Twitch de ajustar os valores conforme a moeda e o custo de vida local, o que, segundo a plataforma, teria dado certo em outros países.

Os subs pagos mais baratos, que custavam R$ 22,90 ao usuário, passaram a valer R$ 7,90, por exemplo. Quem é assinante do Amazon Prime Video, que custa R$ 9,90 por mês, tem direito a dar um sub sem custo adicional. Por outro lado, se o streamer ganhava cerca de R$ 6,80 por cada inscrito, ele passou a ganhar apenas R$ 2,10.

A promessa era que, mesmo com os valores menores, mais pessoas poderiam dar subs e, portanto, o repasse seria compensado. Mas não foi o que aconteceu com alguns canais. O Canaltech conversou com três streamers, entre pequenos e médios — as categorias mais afetadas. Todos compartilham histórias semelhantes de frustração, ansiedade e, em alguns casos, desistência de fazer lives na Twitch.

“Isso acabou comigo”

Rik está sempre alegre e divertido em seus vídeos. Quando não está fantasiado de Marge Simpson ou usando saias e biquínis, ele abusa da sua criatividade e do bom humor para entreter o público. Porém, durante a entrevista, encontramos um Rik introspectivo e reflexivo. “Eu fiquei mais ‘noiado’, preocupado. Isso atacou a minha ansiedade”, relatou.

“Eu me empolgava muito para ter ideias para as lives. Inventava comerciais falsos, shows de dedos dançando, me fantasiava… gostava de fazer isso ao vivo. Trazia empolgação. Quando surgiu a notícia da redução, isso deixou de ser algo prazeroso para começar a ficar tenso. Às vezes, eu me pegava triste do nada, me desligava no chuveiro ou olhava para o teto durante meia hora. Estava desesperado, ansioso.”

A redução no valor das inscrições foi apenas o estopim para Rik abandonar a plataforma: ele já estava incomodado com uma constante queda no número de visualizações e com o fim de ferramentas para notificar e se comunicar com o público. A intenção é que ele faça testes em outras plataformas, como o YouTube, onde "o repasse está mais honesto", em sua opinião.

O canal de Rik no YouTube tem mais de 270 mil inscritos — conheça aqui. Ele também tem um canal de lives e produz programas para o SBT Games.

“É triste abrir mão de um sonho”

Matheus Carpenedo, criador de conteúdo sobre jogos de tiro em primeira pessoa (FPS), relatou à reportagem que “mesmo melhorando todos os números e aumentando as médias de pessoas assistindo, novos seguidores e subs, eu vejo meus ganhos caindo em um nível drástico”. Em média, ele diz que está fazendo "50% a mais para ganhar 50% menos”.

Essa situação se agrava ao lembrarmos que os streamers afiliados recebem da Twitch apenas quando batem a renda acumulada mínima de US$ 100: ou seja, se em um determinado mês o criador arrecadou US$ 90, por exemplo, ele não receberá nada. Foi o que aconteceu com Carpenedo: “antes, eu ainda conseguia receber todos os meses porque batia o mínimo. Agora, eu não vou mais conseguir”.

A Twitch era a principal fonte de renda do streamer. Ele deixou o emprego tradicional em uma agência de conteúdo em 2020 em busca do sonho de trabalhar com conteúdo para a internet. As lives eram uma maneira de realizar esse desejo, afinal, permitem a interação em tempo real e uma monetização mais rápida que o YouTube, por exemplo. Porém, mesmo com as promessas da Twitch de aumento de renda, o dinheiro apertou — e isso o obrigará a voltar com um “emprego convencional” em 2022.

“Além da plataforma ser inconstante, não há perspectiva de melhora no futuro. Nada foi suficiente para compensar o baque”, disse. “Nossa demanda é por mais transparência e por mais valorização dos pequenos criadores, os mais afetados pela mudança”, afirmou.

Questionamos qual é a sensação de retroceder. Ele nos respondeu o seguinte:

“É frustrante. É triste abrir mão de um sonho. Quando comecei a fazer isso, ainda era algo possível. Eu não queria ficar rico: apenas queria viver com o básico, mas fazendo o que eu gostava. Porém, isso não depende apenas de mim. Eu não posso mais ficar refém de uma empresa que pode mudar tudo do dia para a noite.”

Embora os planos tenham mudado, Carpenedo garante que continuará com as lives na Twitch e vídeos no YouTube. “Apenas deixará de ser um trabalho e voltará a ser um hobbie nas horas livres”, disse.

“Quem é grande vai continuar grande”

Para minimizar possíveis impactos da transição, a Twitch anunciou um programa de compensação. A plataforma realizou a média dos ganhos dos três meses anteriores à mudança, e compensaria aqueles que produzissem a mesma quantidade de horas por um ano — 100% no primeiro trimestre, 75% no segundo, 50% no terceiro e 25% no quarto, até que as contas se adequem.

A streamer Julia “Jú” Scochi contou ao Canaltech que, para receber o auxílio, precisou bater a meta de 153 horas mensais. “Eu faço oito horas por dia e tiro alguns dias para descanso”, afirmou.

No primeiro mês, em agosto, Jú conseguiu bater a meta. No segundo mês, porém, ela passou por “vários imprevistos”, como “crises de ansiedade, problemas pessoais em casa e até defeitos no computador”, os quais a impediram de cumprir as horas mínimas e, consequentemente, de ganhar o auxílio. Por fim, no terceiro mês, ela “se virou nos 30 para tapar o buraco”, incluindo uma maratona de 80 horas seguidas de live. “Parece muito, mas é um número tranquilo perto do que outras plataformas de streaming pedem”.

Jú reforçou que apoia a localização de preços no real, mas que não compreende porque os impostos pagos ainda são em dólar. Ela também criticou a falta de comunicação da Twitch com os streamers e o próprio algoritmo da plataforma, que não recomenda criadores pequenos, apenas os maiores: “quem é grande vai continuar grande. Os médios e pequenos precisaram se apertar”.

“Suponhamos que você tenha 100 pessoas lhe assistindo, e que todas elas sejam subs do canal. Antes, você conseguiria se manter; hoje, não. Também existe outro porém: como você converterá mais pessoas a virarem subs se o seu crescimento de visualizações depende de um algoritmo complicadíssimo? Como mais pessoas encontrarão meu canal para eu cobrir esse déficit de dinheiro?”

Apesar dos problemas, a criadora ainda não pensa em trocar de plataforma porque a considera “a melhor para quem assiste”. “O que me motiva é a minha comunidade. Eu não trocaria eles por nada”.

Você pode acompanhar a Jú Scochi pela Twitch e pelo YouTube.

Preços dos subs ainda estão em análise, diz Twitch

O Canaltech entrou em contato com a Twitch solicitando uma entrevista sobre o assunto com um porta-voz. A empresa retornou nossas perguntas com um comunicado, afirmando que segue avaliando os efeitos da localização nos preços dos subs.

Leia a nota na íntegra:

"A Twitch é altamente comprometida com criadores apaixonados e os mantém em mente em todas as decisões que toma. Antes do lançamento, os testes regionais mostraram que tornar as assinaturas mais acessíveis para mais espectadores aumenta a receita dos criadores. Para ajudar a complementar essas mudanças, foi lançado um programa de 12 meses que garante um certo nível de receita para criadores qualificados. A Twitch continua avaliando os preços de subs localizados após o lançamento e continua compartilhando todas as atualizações de forma proativa com a comunidade."

Reafirmamos que estamos à disposição para conversar com representantes da Twitch para esclarecer a situação e o futuro da plataforma para os streamers.

Com informações de: ge

Fonte: Canaltech

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