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Turista poderá fazer caminhada espacial durante estadia na ISS

Patrícia Gnipper

A startup Space Adventures firmou contrato com a Roscosmos (a agência espacial russa) para que dois turistas visitem a Estação Espacial Internacional (ISS), sendo que um deles poderá realizar uma caminhada espacial do lado de fora da estação. O voo acontecerá por meio de uma nave Soyuz, com a viagem tendo até 14 dias de duração total.

O spacewalk, no entanto, será feito em parceria com um cosmonauta russo, que ficará responsável por orientar e garantir a segurança do turista espacial. O trio ficará alojado no segmento russo da ISS. Para que a caminhada espacial dê certo, o turista felizardo (que se tornará a primeira pessoa não-astronauta a fazer um spacewalk) precisará passar por um extenso treinamento, além do treinamento padrão de voo espacial ao qual seu colega de passeio também será submetido.

E, claro, o preço a ser pago pelo turista que fará a caminhada espacial também será mais "salgado" em comparação com o valor que seu colega de turismo espacial pagará. No site da Space Adventures, vemos que "o preço da caminhada espacial dependerá do momento da missão e de outros fatores", sem que a empresa especifique valores, por enquanto.

Nave Soyuz acoplada à ISS (Foto: NASA)

Também não foi revelada, ainda, a data em que esse passeio sem precedentes acontecerá. A Roscosmos diz que a missão turística acontecerá em 2023, mas Stacey Tearne, porta-voz da Space Adventures, não confirmou essa data, dizendo apenas que a missão vai rolar "depois que tivermos identificado e contratado os clientes".

Essa viagem não é a mesma anunciada em 2019, quando a startup divulgou outro contrato com a agência espacial russa para levar turistas à ISS em 2021. Essa viagem do ano que vem não prevê uma caminhada espacial como essa outra que possivelmente acontecerá em 2023.

A Space Adventures já realizou oito viagens turísticas à ISS em parceria com a Roscosmos, usando assentos disponíveis nas naves Soyuz anos atrás. No entanto, essas viagens precisaram ser interrompidas devido à falta de assentos nessas naves russas, desde que elas se tornaram as únicas capazes de levar astronautas à ISS — isso começou em 2011, com o fim do programa dos ônibus espaciais da NASA, quando a agência espacial dos Estados Unidos passou a contar apenas com os russos nesse transporte. Isso muda a partir de agora, pois a SpaceX já levou dois astronautas da NASA a bordo de sua nave Crew Dragon, provando ser capaz de assumir essa função a partir de agora, e a Boeing fará um novo teste de voo com sua nave Starliner ainda em 2020, com o mesmo objetivo.


Fonte: Canaltech