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Tuítes de Trump ditam desempenho do mercado na semana

JÚLIA MOURA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cada tuíte do presidente americano Donald Trump sobre o acordo comercial com a China, as principais Bolsas globais têm reações imediatas. Após mensagens que ameaçavam a resolução do conflito que perdura desde 2018, os índices americanos tiveram a maior queda percentual desde janeiro.

Na tarde desta sexta-feira (10), após nova rodada de negociações, Trump anunciou que as conversas continuam e o aumento de tarifas sobre importações chinesas pode ser removido. Os principais índices de Nova York inverteram o viés negativo e fecharam em alta.

Sem novidades na tramitação da reforma da Previdência, o mercado brasileiro opera próximo do cenário externo. Nesta sexta, a Bolsa brasileira, que chegou a cair mais de 1% durante o pregão, amenizou perdas e recuou 0,58%. O dólar voltou a R$ 3,94.

Na manhã desta sexta, Trump afirmou não ter pressa para para finalizar um acordo comercial com a China, depois que os EUA aumentaram as tarifas para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos do país asiático nesta sexta.

Mas mesmo após Pequim ameaçar retaliação, os negociadores em Washington concordaram em permanecer para o segundo dia de negociações, aumentando as expectativas de que um acordo será alcançado.

"Todo mundo sabe que os Estados Unidos e a China estão conversando e estão considerando as tarifas como moeda de troca. É tudo sobre alavancagem e quem supera quem. No final Trump vai fazer um acordo, mas nesse meio tempo temos que aguentar sua maneira de fazer isso. Nós teremos muita volatilidade até termos clareza", disse Andre Bakhos, diretor da New Vines Capital LLC.

O mercado chinês se mantém confiante quanto a um acordo. As bolsas do país reagiram positivamente ao anúncio do banco central da China, nesta sexta, de que é totalmente capaz de lidar com as incertezas externas, já que possui muitas ferramentas de política monetária e ampla margem de manobra.

Os comentários foram feitos pelo assessor da instituição horas depois de os EUA terem aumentado as tarifas sobre os produtos importados da China, o que pode desacelerar a economia chinesa em 0,3%.

Em resposta, o banco central chinês se comprometeu a manter a liquidez razoavelmente ampla, ao mesmo tempo em que adotou uma política monetária "prudente" que não é nem muito frouxa nem muito apertada.

Em comunicado, o Ministério do Comércio da China disse lamentar que vá ter de retaliar a decisão americana -embora não tenha especificado quais medidas tomará.

O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, iniciaram dois dias de negociações na quinta (9) em Washington.

Na tarde desta sexta, Trump passou uma mensagem positiva ao mercado e disse que as conversas foram francas e construtivas e que a relação entre ele e o presidente Xi continua "muito forte". O presidente também afirmou que as novas tarifas serão aplicadas, mas podem ser removidas conforme o rumo das negociações.

As Bolsas americanas, que operavam em forte queda ao longo do dia, inverteram sinal ao fim do pregão e fecharam em alta. Dow Jones subiu 0,44% e S&P 500, 0,37%. O índice Nasdaq permaneceu estável, em 0,08%. 

Nesta sexta, a Uber teve o primeiro dia de negociações na Bolsa de Nova York. A companhia havia definido uma faixa de preços entre US$ 44 e US$ 50 por ação para seu IPO, para levantar chegar à Bolsa um valor de mercado de US$ 82,4 bilhões. 

O objetivo, entretanto, não foi alcançado. Os papéis da empresa fecharam em queda de 7,62%, a R$ 41,57 e o valor de mercado da Uber ficou em US$ 69,7 bilhões. 

No Brasil, o Ibovespa, maior índice acionário do país, arrefeceu queda e recuou 0,58%, a 94.257 pontos. O giro financeiro foi de R$ 13,285 bilhões, abaixo da média diária para o ano.

Na semana, marcada por balanços das companhias, o índice acumula quase 1,82% de perdas, variando de 92 a 96 mil pontos.

Petrobras e Vale, maiores companhias do índice, reportaram resultados negativos no início do ano. As ações da petroleira acumularam queda de 0,63% na semana, a R$ 26,68. A mineradora recuou 1,87%, a R$ 49,46. Apesar da variação, a precificação se mantém no mesmo patamar das últimas semanas. Investidores confiam na em uma melhora das companhias no segundo trimestre. 

CVC e Suzano, todavia, tiveram fortes quedas após o balanço trimestral. A companhia de viagens reportou na véspera perdas na Argentina —nesta sexta, os papéis recuaram 8,58%. Já a Suzano desacelerou produção de celulose e teve queda na receita —as ações da companhia caíram 8,72%.

A varejista B2W, controladora de Submarino e Lojas Americanas, cedeu 6,5%. No primeiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 139 milhões, resultado ainda pior que o mesmo período de 2018, quando a empresa teve R$ 117 milhões de prejuízo. 

O dólar acompanhou a guinada positiva do exterior e fechou em queda de 0,22%, a R$ 3,9450. Na semana, a moeda americana se desvalorizou 0,13%. Este é o primeiro recuo após quatro semanas de altas.

Na próxima semana, a comissão especial dará continuidade à discussão obre a reforma da Previdência, o que pode afetar o desempenho do mercado.