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Trump se gabou da economia, mas ela votou em Biden

Por Howard Schneider
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Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoiou-se em argumentos econômicos durante sua campanha de candidatura à reeleição, mas a economia favoreceu seu adversário democrata, Joe Biden.

O presidente eleito Biden venceu em condados responsáveis por 70% da produção econômica do país e também em lugares que, no geral, estavam se saindo melhor economicamente do que regiões com forte apoio a Trump, de acordo com uma análise dos resultados eleitorais de 3 de novembro divulgados pela Brookings Institution nesta terça-feira.

O estudo mostrou que essa fatia foi ainda maior do que os 64% da candidata democrata Hillary Clinton em 2016, já que Biden inverteu os resultados eleitorais em lugares populosos como o condado de Maricopa, no Arizona, e o condado de Tarrant, no Texas, que favoreceram Trump quatro anos atrás.

A participação de Trump caiu de forma equivalente.

Em certo sentido, o resultado não é surpreendente: o PIB segue a população e, assim como a base republicana está concentrada em milhares de condados menos populosos em todo o interior do país, a base democrata está centrada nas cidades mais populosas e, particularmente, em metrópoles como Los Angeles, Nova York e Atlanta, que foram a chave para a aparente vitória de Biden na Geórgia.

Essas cidades são onde estão os trabalhadores e empresas mais produtivos do país, mesmo que Trump --apesar de seu foco na economia-- as tenha retratado como uniformemente problemáticas, e não como a base da riqueza dos EUA.

Mark Muro, membro sênior do Programa de Política Metropolitana da Brookings, disse que, mesmo que os resultados reflitam as tendências demográficas em curso por décadas, a divisão política resultante permanece sem solução --mesmo em questões atuais urgentes, como a ajuda em resposta à pandemia de coronavírus para as cidades.

O Partido Republicano "reflete uma base econômica situada nas pequenas cidades e áreas rurais do país, continua frustrado e não vê razão para considerar as prioridades e necessidades dos centros metropolitanos do país", disse Muro. "Esse não é um cenário de consenso ou conquistas econômicos."

Claro, mesmo em regiões democratas, Trump conseguiu votos. Enquanto Vermont continua profundamente no azul em termos de participação de votos e Wyoming em um vermelho profundo, grande parte do país se mistura na região central, e a eleição de 2020 mostrou que o grupo de Estados competitivos se expandiu de campos de batalha tradicionais, como Flórida e o Meio-Oeste, para incluir Estados do "Sun Belt", como Geórgia e Arizona.

No entanto, no caso de Trump, os resultados podem seguir outra lógica. A análise dos dados mostrou que ele enfrentou poucos retrocessos dos eleitores em lugares que o apoiaram em 2016 e que têm sido os mais atingidos pelo coronavírus. Na verdade, sua parcela de votos frequentemente avançou nesses lugares.

Mas ele tampouco foi necessariamente recompensado pela força da economia antes da pandemia.

De acordo com uma nova análise do Grupo de Inovação Econômica, os condados que votaram em Biden também tiveram crescimento de salários, empregos e negócios sob a administração de Trump, a uma taxa maior do que os condados que votaram em Trump.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447723))

REUTERS LB JCG