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Trump reduz cota de importação de aço brasileiro em quase 83% no quarto trimestre

Glauce Cavalcanti, com agências internacionais
·3 minutos de leitura

O presidente americano Donald Trump decidiu reduzir o limite para importação de aço do Brasil. Ele argumenta que houve queda de demanda no mercado dos Estados Unidos.

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Em um decreto publicado na sexta-feira, Trump alterou decisão anterior sob os chamados poderes de segurança nacional garantidos pela Seção 232 para reduzir o limite de importações. Esses limites foram definidos em 2018 como parte de um acordo firmado entre EUA e Brasil para evitar as tarifas que o presidente americano vinha aplicando a outras nações.

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Trump citou uma retração no mercado de aço americano, decorrente de paralisações de produção em razão da pandemia do novo coronavírus. “As importações da maior parte dos países recuaram neste ano de forma compatível com essa contração, enquanto as importações do Brasil caíram apenas ligeiramente”, disse o presidente americano no decreto.

Os EUA vão, até o fim de 2020, reduzir o limite “aplicável a certos artigos de aço importados do Brasil”. O decreto não especifica quais serão esses artigos, e os EUA permitirão isenções em certos casos. Os novos limites vêm após conversas com o Brasil, que enfrentou a ameaça de uma sobretaxa de 25%.

“Estados Unidos e Brasil terão novas negociações em dezembro de 2020 para discutir a situação do comércio de aço entre os dois países à luz das condições de mercado que estiverem prevalecendo naquele momento”, disse Trump no decreto.

Marco Polo Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, explica que o decreto americano é resultado de mais de 20 dias de negociação entre EUA e Brasil.

O Brasil pode exportar 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado para os Estados Unidos por ano. Pelo acordo fechado em 2018, ficou determinado um limite de até 30% deste total por trimestre.

— Pelo acordo em vigor, o Brasil poderia embarcar 350 mil toneladas de produtos em aço semiacabado aos EUA no quarto trimestre, 10% da cota anual. Com o decreto, serão apenas 60 mil toneladas. O envio do restante será negociado em dezembro.

A primeira demanda vinda dos Estados Unidos, continua ele, era para que o Brasil enviasse a cota de 30% ao longo do trimestre. Mas isso não era viável, porque a demanda levava toda a cota em horas e o volume do terceiro trimestre já estava embarcado.

— Depois, pediram que a cota do quarto trimestre, 10% do total do ano, não fosse entregue, o que também não seria viável, pela demanda específica de importadores americanos. Então, veio a decisão de taxar em 25% o aço, que foi revertida com base em negociações mediadas pelo Ministério das Relações Exteriores.

As siderúrgicas, tando nos EUA quanto no Brasil, sofreram forte redução da demanda por aço com o freio na construção civil e indústrias como a de automóveis levou todas as companhias siderúrgicas no país a paralisar altos-fornos.

A cota para as importações do Brasil será revertida ao nível anterior ao decreto em 2021 “a menos que esse limite seja modificado posteriormente ou encerrado”, segundo o documento divulgado na sexta-feira.

O preço do aço no mercado americano recuou 12% neste ano devido à redução de demanda associada à pandemia. Houve queda nas encomendas nos mais diversos segmentos, de eletrodomésticos a construção, passando por automóveis. Nesta semana, executivos do setor nos EUA, reunidos em um dos maiores encontros da siderurgia na região, estimaram que a recuperação aos níveis pré-pandemia virá m um ou dois anos.