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Trump quer apoiar economia e salvar sua campanha

Por Julie CHABANAS
O presidente Donald Trump, em entrevista coletiva na Casa Branca, em 9 de março de 2020, sobre o novo coronavírus

O presidente Donald Trump quer implantar rapidamente uma série de medidas para apoiar uma economia ameaçada pelas consequências da epidemia do novo coronavírus e, assim, tentar preservar um de seus principais argumentos de campanha na disputa pela Casa Branca.

Essas medidas, que devem ser anunciadas ainda nesta terça-feira (10), devem ter empresas como alvo, assim como as famílias. Serão "importantes" e "em larga escala", prometeu ontem o presidente americano, que busca um segundo mandato à frente da maior economia do mundo.

Ele então mencionou cortes nos impostos sobre os salários e ajuda às pessoas pagas por hora, reconhecendo que "o mundo foi surpreendido" pelo coronavírus.

Sua filha e conselheira, Ivanka Trump, disse em sua conta no Twitter que Donald Trump "está comprometido com apoiar os trabalhadores pagos por hora e disponibilizar empréstimos acessíveis para pequenas empresas. Um corte nos encargos sociais também está na mesa".

Muitos americanos não terão condições financeiras de parar de trabalhar durante uma quarentena, uma vez que dispõem de poucos dias de licença para doença. Muitos trabalhadores também são pagos por hora.

O presidente "usará todas as ferramentas à sua disposição para proteger o trabalhador americano", disse Ivanka Trump.

O principal conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse na sexta-feira que o governo estava considerando pacotes de estímulo "direcionados" para ajudar as empresas e os mais afetados, incluindo aqueles que estariam em quarentena.

Distribuir "mil dólares para todos", alega Kudlow, "não teria efeito a longo prazo no crescimento econômico".

"Uma resposta orçamentária é a mais apropriada diante da disseminação do vírus", comentou à AFP Rubeela Farooqi, economista-chefe da High Frequency Economics (HFE).

Para ela, o governo Trump pode considerar "licença médica remunerada, bem como uma redução temporária nos impostos sobre a folha de pagamento. Também acho importante fornecer apoio direcionado a pequenas empresas" que podem ser "particularmente vulneráveis".

- Medidas parlamentares -

Nesta terça, Trump voltou a atacar o Federal Reserve, que ele considera "patético e lento", pedindo-lhe um novo corte nas taxas.

"Nosso patético, lento Federal Reserve, comandado por Jay Powell, que sobe os juros muito rápido e os reduz muito tarde, deveria ter nossa taxa de referência ao nível de nossos concorrentes", escreveu Trump no Twitter.

O Fed deveria "estimular!", acrescentou Trump, que também lançou: "O Federal Reserve deve ser um líder, não um seguidor, como tem sido".

Trump critica com frequência o Fed e seu presidente e relançou seus ataques à instituição, em meio à incerteza sobre o impacto da epidemia de coronavírus na economia.

Na semana passada, o Fed reduziu suas taxas de juros de referência em meio ponto percentual, para um intervalo de 1% a 1,25%. Esta foi a primeira vez, desde 2008, fora das suas reuniões de política monetária.

A maioria dos investidores espera que o Fed volte a reduzir suas taxas durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em 17 e 18 de março.

A epidemia da Covid-19 afundou os mercados, com Wall Street registrando sua maior queda, em mais de 11 anos, na sessão de segunda-feira.

Democratas e republicanos terão de chegar a um acordo, porém, já que as medidas apresentadas pelo presidente precisam ser validadas pelo Congresso para serem adotadas, e o tempo está se esgotando.

A última grande crise econômica remonta a 2007, quando a bolha imobiliária estourou, arrastando os Estados Unidos para um ano e meio de recessão, até julho de 2009.

À época, o presidente George W. Bush anunciou um pacote de estímulo de US$ 152 bilhões para promover o crescimento e ajudar as famílias superendividadas. Um plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões foi adotado em outubro de 2008.

E menos de um mês depois de chegar à Casa Branca em janeiro de 2009, Barack Obama lançou um novo pacote de estímulo de US$ 787 bilhões, concentrado no consumo e no setor imobiliário, consistindo de incentivos fiscais e gastos públicos.