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Trump não larga a China, a última estatal viva e outros destaques da tecnologia

Rui Maciel
·10 minuto de leitura

Bem-vindo ao nosso resumo semanal do mundo corporativo. Toda sexta-feira selecionamos as principais notícias que rolaram nos últimos dias para você ficar por dentro dos assuntos mais relevantes do momento. De estratégias de negócios até problemas judiciais, aqui você se atualiza em poucos minutos. Confira!

5G, China, EUA e o Brasil no meio da treta

A partir do dia 20 de janeiro de 2021, Donald Trump não será mais presidente dos EUA e muita coisa no seu governo pode ser reavaliada. E se teve uma coisa que o mandatário norte-americano fez bem nos quatro anos foi infernizar a vida da China, principalmente da Huawei. E, no que depender dele, a vida dos executivos da empresa será difícil até o seu último dia na Casa Branca.

A última do seu governo contra a Huawei foi uma iniciativa chamada Rede Limpa. Em bom português, o programa é uma ação global dos EUA cujo objetivo é banir a tecnologia chinesa das redes de telecomunicações, principalmente a 5G. Entre os países que teriam aderido ao movimento, estão o Reino Unido, República Tcheca, Polônia, Suécia, Estônia, Romênia, Dinamarca, Grécia e Letônia. Agora, Trump e sua turma estão pressionando o Brasil para que assine o memorando do programa.

Donald Trump: China contando as horas para ele sair da Casa Branca (Foto: Unsplash)
Donald Trump: China contando as horas para ele sair da Casa Branca (Foto: Unsplash)

Em um ato de bom senso do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro vem ouvindo outros envolvidos na questão, que defendem a participação da empresa chinesa na quinta geração da internet móvel no país. Além disso, as operadoras brasileiras estão muito bem, obrigado, com os equipamentos da Huawei em suas infraestruturas de telecomunicações e não estão nem um pouco interessadas em seguir essa iniciativa dos EUA. Thanks but no thanks.

E a China nisso tudo? Bom, como sempre, ela emitiu uma nota acusando os EUA de fazer acusações mal-intencionadas sobre a segurança da tecnologia 5G chinesa e contra suas empresas, com objetivo real de tentar implantar distúrbios na parceria sino-brasileira. Além disso, afirma que "a chamada 'rede limpa' pregada pelos Estados Unidos é discriminatória, excludente e política. É de fato uma 'rede suja', e sinônimo de abuso do pretexto da segurança nacional por parte dos EUA para promover guerra fria tecnológica e bullying digital". A declaração vai além:

"Durante muito tempo, os EUA conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, empresas e indivíduos estrangeiros, além de líderes de organismos internacionais"

Eles não errados nessa. Mas a verdade é que a China está contando os dias para que Trump desocupe a cadeira presidencial e ela possa ter um pouco de paz. Será?

Comprar os Correios pra que, cara pálida?

O Mercado Livre anunciou nesta quinta-feira (12) seus planos de logística para 2021, com destaque para a abertura de cinco novos centros logísticos no Brasil: três em São Paulo (dois em Cajamar e um em Guarulhos), um em Governador Celso Ramos (Santa Catarina) e um em Extrema (Minas Gerais). O de Cajamar já está em funcionamento, sendo que as demais unidades ficarão prontas ao longo do próximo ano.

As novas operações agregarão 340 mil m² à malha logística que é 100% gerenciada pelo Mercado Envios, braço logístico do Mercado Livre. Com isso, o marketplace espera duplicar a capacidade de armazenamento e de processamento de encomendas.

CD do Mercado Livre: se eu entro aí, nunca mais saio... (Foto: Divulgação / Mercado Livre)
CD do Mercado Livre: se eu entro aí, nunca mais saio... (Foto: Divulgação / Mercado Livre)

Esses novos centros logísticos fazem parte do plano de expansão das entregas em até dois dias para todo o país. Atualmente, a malha logística do Mercado Livre realiza entregas em até dois dias, a partir da modalidade de Fulfillment, em 1800 cidades brasileiras, onde vive 80% da população do país.

Recentemente, o marketplace anunciou investimento em uma frota própria de aviões para a realização de entregas no território brasileiro. Serão quatro aeronaves operadas por companhias aéreas nacionais. Elas devem aumentar consideravelmente a capacidade de envio dos pacotes e reduzirão o tempo de entrega.

Ah, sim, eles ainda prometeram que 80% das suas entregas em todo o Brasil para a Black Friday desse ano sejam feitas em até dois dias.

Comprar os Correios pra que, não é mesmo?

Comprar os Correios pra que, cara pálida? O retorno

Também nessa semana, a Amazon também mostrou que não veio para o Brasil a passeio. A empresa anunciou na última segunda-feira (9) a abertura de três novos centros de distribuição (CDs). Eles estão localizados nas cidades de Betim (Minas Gerais), Santa Maria (Distrito Federal) e Nova Santa Rita (Rio Grande do Sul). Com isso, a gigante do e-commerce passa a contar com passa a contar com armazéns, aumento sua capilaridade de atendimento pelo Brasil. Com o anúncio de hoje, a companhia chega a oito CDs no país.

A inauguração dos novos CDs representa a geração de mais de 1.500 empregos diretos, além dos indiretos no país. Os colaboradores vão selecionar, embalar e enviar os pedidos dos clientes, ajudando a garantir que as pessoas recebam seus itens dentro do prazo estabelecido. Juntos, esses novos prédios representam cerca de 75 mil metros quadrados, o que equivale a uma área de mais de 10 campos de futebol, com flexibilidade para crescer ainda mais.

CD da Amazon em Cajamar: empresa não veio ao Brasil a passeio (Imagem: Divulgação / Amazon)
CD da Amazon em Cajamar: empresa não veio ao Brasil a passeio (Imagem: Divulgação / Amazon)

Como efeito direto dessa expansão, mais de 500 municípios brasileiros têm entregas ainda mais rápidas para membros do Amazon Prime, a partir de dois dias para produtos elegíveis. E inclui ainda acesso ao Prime Video, Twitch e Amazon Music. Ainda de acordo com a empresa, o Brasil é o país com o crescimento mais rápido em assinaturas Amazon Prime a partir do lançamento.

Repetindo a pergunta: comprar os Correios pra que, não é mesmo?

No Brasil tudo bem. Mas na Europa...

Se no Brasil a Amazon parece muito bem, obrigado, o cenário muda totalmente no Velho Continente. Isso porque União Europeia (UE) anunciou nesta terça-feira (10) que está entrando com acusações de violações antitruste contra a Amazon. Segundo a entidade, a gigante do e-commerce violou leis de concorrência ao usar o seu tamanho de forma injusta, acessando dados de pequenos comerciantes de sua plataforma de marketplace para obter vantagens comerciais.

A divisão da Comissão Europeia responsável pelo combate às práticas anticompetitivas afirma que a Amazon abusou de seu duplo papel, como marketplace, usada por muitos vendedores de pequeno porte, e como comerciante que vende seus próprios produtos e que concorrem com esses mesmos vendedores na plataforma. As autoridades acusaram a empresa de colher dados não públicos de vendedores que usam seu marketplace para localizar produtos populares e, em seguida, copiá-los e vendê-los, geralmente a um preço mais baixo.

Margrethe Vestager, a vice-presidente da comissão para questões digitais na UE é o pesadelo das Big Techs (Foto: nrkbeta / Wikimedia)
Margrethe Vestager, a vice-presidente da comissão para questões digitais na UE é o pesadelo das Big Techs (Foto: nrkbeta / Wikimedia)

A Comissão Europeia informou também que iniciou uma investigação paralela das políticas da Amazon em torno do botão "Buy Box", uma importante peça no site do e-commerce, que torna mais fácil para os consumidores clicarem rapidamente para fazer uma compra. A entidade está investigando se a companhia dá tratamento preferencial para a esse recurso em seus próprios produtos e de outros vendedores que pagam para usar os serviços de logística da própria empresa.

O anúncio da ação legal contra a Amazon é apenas uma parte do processo regulatório. A empresa agora deve se organizar para responder às acusações, algo que pode levar meses ou, até mesmo anos, antes que qualquer tipo de penalidade seja anunciada. Há a possibilidades da companhia pagar multas bilionárias ou até mesmo chegar a um acordo com a UE. Ou, simplesmente, o caso pode ser arquivado.

Enfim, ainda vai rolar muita água debaixo desse pote. Contudo, a UE não costuma ser muito amigável com as big techs americanas. Perguntem pro Google e pra Microsoft.

Você sabia que ainda existia uma estatal de telecomunicações no Brasil?

A gente sabia, quer dizer, mais ou menos... De qualquer forma, não existe mais. Isso porque, na última segunda-feira (09), foi privatizada aquela que era a última estatal do setor no Brasil: a Copel Telecom. O leilão da privatização - que ocorreu na sede do B3, em São Paulo - foi vencido pelo Fundo Bourdeax (representado pela corretora Planner), com um lance de R$ 2,39 bilhões.

Com quatro investidores disputando o certame, a empresa foi vendida com ágio de 70,94%, superando em quase R$ 1 bilhão o preço mínimo estipulado, que era de R$ 1,4 bilhão por 100% das ações. Na abertura dos envelopes, dois participantes ofereceram valor superior a R$ 2 bilhões, iniciando o leilão com ágio de mais de 50%. O recurso arrecadado retornará ao caixa da Copel e vai ampliar os investimentos da estatal na distribuição, transmissão e geração sustentável de energia.

Leilão da Copel Telecom: última estatal do setor agora está nas mãos da iniciativa privada (Foto: RODRIGO FELIX LEAL / AEN)
Leilão da Copel Telecom: última estatal do setor agora está nas mãos da iniciativa privada (Foto: RODRIGO FELIX LEAL / AEN)

A Copel Telecom possui 100% de sua tecnologia em fibra ótica e é líder deste mercado no Paraná. A subsidiária está presente nos 399 municípios do Estado, com 36 mil quilômetros de cabos que levam este tipo de internet banda larga a base de 170 mil clientes.

De acordo com o diretor-geral da subsidiária, Wendell Oliveira, o processo de venda deve ser finalizado até meados do ano que vem, depois de ser analisado por instituições como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ele também ressaltou que os funcionários da tele serão incorporados por outras empresas do grupo Copel.

Com a subsidiária de telecom privatizada, a Copel passará a concentrar seus esforços nas áreas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, suas principais atividades.

E a torta de vacilo da semana vai para...

A Enel. A multinacional italiana do ramo de geração e distribuição de energia elétrica nunca foi das mais queridas do público brasileiro - basta ir nas redes sociais dela ou no Reclame Aqui para comprovar o que eu digo. Mas agora, ela pisou na bola de outra forma: sofreu um vazamento de dados que afetou quase 290 mil clientes brasileiros.

Entre as informações expostas, temos nome, gênero, CPF/CNPJ, RG, data de nascimento, números de telefone, e-mail, endereço postal, conta bancária, forma de pagamento, código da instalação, código e tempo de contrato, média de consumo energético e carga instalada.

Embora a Enel tenha atuação nos estados de São Paulo, Ceará e Goiás, curiosamente, todos os clientes afetados são do município de Osasco, localizado na região metropolitana da capital paulista. Não há como saber com exatidão como tais informações foram vazadas e nem o responsável por tal desvio. Mas o fato é que a empresa dá uma dessas pouco tempo depois que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor. A sorte dela é que as penalizações por vacilos como esses só serão aplicadas sob a nova lei em agosto do ano que vem.

Lembrancinha do vazamento de dados da Enel: que tal um choque da LGPD, pessoal? (Imagem: Reprodução/The Hack)
Lembrancinha do vazamento de dados da Enel: que tal um choque da LGPD, pessoal? (Imagem: Reprodução/The Hack)

Ainda assim, órgãos de defesa do consumidor como o Procon-SP e o Idec cobraram explicações da empresa. A Enel deverá demonstrar se, conforme determina a LGPD, adota medidas de segurança, técnicas e administrativas para proteger os dados pessoais de acessos não autorizados. Isso inclui situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito.

A Enel deverá ainda informar se os seus colaboradores foram devidamente treinados sobre a aplicação da LGPD. A empresa também deverá explicar porque dados como CPF e número de telefone celular não foram criptografados na coleta e no processo de tratamento. E também como ela se prepara para atuar em incidentes como esses.

Já o Idec notificou tanto a Enel, quanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) para que elas apurem as causas e as medidas de prevenção e de mitigação dos danos gerados pelo vazamento. Somado a isso, questiona qual o acompanhamento feito por elas em relação à adequação do setor de energia elétrica à LGPD.

De quebra, a entidade ainda orientou os clientes que tiveram seus dados vazados a mover o famoso "processinho" contra a Enel caso eles descubram que suas informações foram usadas de forma fraudulenta.

Chocante, não?

Fonte: Canaltech

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