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Trump faz último esforço para acelerar abate de aves nos EUA

Mike Dorning e Michael Hirtzer
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os casos de coronavírus estão em alta, mas o governo Trump faz o último esforço para permitir que unidades de abate de frangos acelerem as linhas de produção, o que pode colocar em risco o distanciamento social e a segurança dos trabalhadores.

Três dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, perder sua candidatura à reeleição, o Departamento de Agricultura dos EUA apresentou uma proposta para aumentar a velocidade máxima das linhas de produção em 25%. O pedido foi enviado ao Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca para revisão. Normalmente, essa é a última etapa antes da publicação de um regulamento proposto.

A medida poderia provocar novos surtos de coronavírus que fecharam várias processadoras de carne no início do ano, justo com a proximidade do inverno e o aumento dos casos nos EUA. Críticos também dizem que é uma recompensa no período de transição para produtores de aves que há muito tempo apoiam Trump, que ainda tenta se manter no cargo. Não está claro se um regulamento final poderia ser emitido antes de o presidente eleito Joe Biden assumir.

“Eles estão correndo atrás de uma regra que pode colocar seriamente em risco trabalhadores e consumidores”, disse Deborah Berkowitz, que ocupou um cargo sênior no Departamento de Trabalho durante o governo Obama. “Esta é a recompensa política para a indústria avícola por estar muito próxima e apoiar o governo.”

O governo Obama-Biden rejeitou propostas para permitir linhas de processamento mais rápidas em processadoras de aves após dois anos de estudo, disse Berkowitz, que foi chefe de gabinete e assessora de política sênior da Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OMB, na sigla em inglês). Candidatos presidenciais do Partido Democrata nas primárias como Cory Booker, Elizabeth Warren, Bernie Sanders e a vice-presidente eleita Kamala Harris também apoiaram legislação para proibir o USDA de conceder isenções de velocidade das linhas.

Um porta-voz do USDA disse que a agência tem coletado dados e avaliado a capacidade das processadoras de aves de manter controles de processo há anos e que essa proposta já estava na agenda regulatória no segundo trimestre, antes das eleições. A agência também destacou que as velocidades das linhas se aplicam ao processo de evisceração, que é feito principalmente por máquinas, e não por pessoas.

Em comunicado no site da OMB, a agência disse que a mudança permitiria às processadoras “abater as aves de forma mais eficiente, ao mesmo tempo em que continua garantindo a segurança alimentar e a inspeção online eficaz de carcaças”.

Trabalhadores de processadoras de carne bovina e de aves foram especialmente atingidos pela pandemia, com pelo menos 19,8 mil infectados ou expostos ao vírus e pelo menos 128 mortes, de acordo com a União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação e Comércio.

Com velocidades mais rápidas das linhas, pode haver mais trabalhadores ao mesmo tempo nos frigoríficos e também um aumento dos acidentes de trabalho, disse Marc Perrone, presidente do sindicato, que representa mais de 250 mil trabalhadores de frigoríficos e processadoras de alimentos.

“O sistema modernizado foi estudado, debatido e revisado em profundidade por mais de 20 anos para garantir sua eficácia em maior modernização da inspeção de frangos, melhorando a segurança alimentar e protegendo os trabalhadores”, disse Tom Super, porta-voz do Conselho Nacional de Frango, uma associação do setor.

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