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Trump declara emergência e destina US$ 50 bi para combater a epidemia

Valor

Presidente alertou para oito semanas críticas de enfrentamento e disse que deve se submeter a exames para investigar possível contaminação O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira emergência nacional devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19). Com a medida, o governo recorre ao chamado Ato Stafford para dar a Estados e cidades uma ajuda federal de US$ 50 bilhões na luta contra o avanço da doença.

Em pronunciamento realizado no jardim da Casa Branca, Trump explicou que a medida visa “liberar todo o poder do governo federal” para derrotar a covid-19, declarada pandemia ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“As próximas oito semanas serão críticas para o combate do vírus”, disse ele.

Patrick Semansky/AP

Trump pediu que todos os estados criem centro de emergência para enfrentar o vírus e afirmou que, com ajuda da iniciativa privada, cerca de 500 mil kits para testes estarão disponíveis no início da próxima semana. Este número, segundo ele, deve chegar a 5 milhões ainda neste mês.

Apesar do esforço para ampliar o número de testes realizados no país, uma das principais críticas enfrentadas pela Casa Branca desde o início da crise, Trump afirmou que o governo não quer que todas as pessoas passem por exames para detectar a doença.

Em parceria com o Google, o governo americano lançará um site para orientar a população sobre a necessidade de realizar ou não o teste e informar o local mais próximo onde o exame poderá ser realizado. A data de lançamento da página será revelada no domingo.

Para ajudar estudantes e famílias americanas, Trump anunciou que abrirá mão da cobrança dos juros dos empréstimos concedidos pelo governo federal, mas não deu detalhes de como a medida será aplicada.

Questionado sobre o pacote econômico elaborado pelos democratas, que deve ser votado ainda hoje na Câmara dos Representantes, Trump afirmou que a oposição não cedeu o suficiente, em um claro sinal de que o projeto não deve passar pelo Senado, controlado pelos republicanos.

Outra medida na área econômica prometida por Trump é a criação de uma reserva estratégica de petróleo devido aos baixos preços do barril no mercado internacional. “Orientei o secretário de Energia que compre grandes quantidades”, disse o presidente.

Sobre as restrições de viagens aplicadas aos países europeus, o presidente americano admitiu a possibilidade de incluir o Reino Unido na lista caso o número de casos aumente nos próximos dias. Por outro lado, alguns países asiáticos como a China, que parecem ter controlado a disseminação da doença, podem deixar a relação.

Trump também falou sobre o teste negativo do presidente Jair Bolsonaro para a covid-19. O prefeito de Miami, Francis Suarez, foi diagnosticado com a doença. Outros senadores que participaram de eventos com a coletiva brasileira no último fim de semana se colocaram em quarentena como precaução.

“Não vou (entrar em autoisolamento). Não tenho nenhum sintoma. Sentei ao lado do presidente Bolsonaro por duas horas e ele testou negativo. Eu sei que há uma foto com alguém que testou positivo, eu não sei quem ele é, mas tiro milhares de fotos todos os dias”, afirmou Trump, se referindo ao secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten.

Após jornalistas insistirem na pergunta sobre uma possível exposição ao vírus, Trump admitiu que poderá ser testado para a doença.

“É muito provável que eu seja testado, mas não por causa disso [o encontro com a comitiva brasileira]”, disse o dirigente americano.