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Como contaminação de Trump pode alterar cenário da eleição nos EUA?

Matheus Pichonelli
·3 minutos de leitura
A man wearing a mask of US President Donald Trump holds a US flag during a pro-Trump rally in Beverly Hills, California on October 3, 2020. (Photo by Apu GOMES / AFP) (Photo by APU GOMES/AFP via Getty Images)
Apoiadores se aglomeram em apoio de Donald Trump em Beverly Hills. Foto: Apu Gomes/AFP (via Getty Images)

A pergunta do título foi levantada, não necessariamente respondida, por incontáveis analistas desde que o presidente e candidato à reeleição dos EUA, Donald Trump, teve confirmado o diagnóstico de covid-19.

Por aqui, houve quem comparasse a situação do republicano à de Jair Bolsonaro, que em 2018 sofreu um atentado a faca, passou por cirurgia e precisou se recolher da campanha, o que poupou a virulência dos ataques de adversários que começavam a explorar mais fortemente as contradições do então candidato do PSL.

A agressão tirou do futuro presidente a obrigação de participar de debates, nos quais estas contradições seriam expostas em tempo real, mas não a exposição da cobertura eleitoral e a escolha a dedo de emissoras aliadas para entrevistas exclusivas. O tempo de TV, ínfimo em um partido nanico, se multiplicou por consequência.

Nos EUA, segundo a CNN, seis em cada dez eleitores afirmaram que o candidato democrata Joe Biden se saiu melhor do que o adversário no debate da semana passada, realizado poucos dias antes do diagnóstico. Só 28% acham que Trump se saiu melhor.

Biden lidera as pesquisas, mesmo que a maioria dos entrevistados (56%) tenha dito que esperava um desempenho melhor no debate.

A retirada do republicano de cena, ao menos temporariamente, veio em boa hora (para ele)?

Sim e não.

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Trump, que no começo da pandemia minimizou a gravidade do coronavírus, vinha mantendo uma ampla agenda de comícios presenciais, o que gerava aglomerações e críticas em razão das aglomerações. Era isso, porém, que empolgava os eleitores, parte deles mais dispostos a negacionismos, como o presidente.

Mais discreto, Biden, em contrapartida, era atacado por não se expor ao calor do povo.

É certo que um candidato infectado e com riscos consideráveis de morrer rende um cessar-fogo imediato até por parte dos eleitores que o rejeitam -- há, claro, os casos em que as plataformas digitais precisaram ameaçar punir quem manifestar o desejo de ver o presidente norte-americano morto, mas esta é outra história.

O ponto central é que até mesmo nos informes sobre a real condição de saúde de Donald Trump o caos e a confusão parece ser a norma. Sinais trocados são enviados desde que o diagnóstico foi confirmado. Trump passa bem? Precisou de oxigênio? A quais tratamentos se submeteu? O que tomou? O que pensa agora da cloroquina? Por que saiu para andar de automóvel no fim de semana? Que mensagem quer enviar?

São perguntas que podem decidir o voto de pessoas para quem a transparência, e não a lorota, é inegociável.

Em seu mandato, ou mesmo em sua primeira campanha, o milionário ex-apresentador de TV ficou marcado pelo, digamos, pouco apreço aos fatos. Nas redes, mentiu, atacou, torturou a verdade como pôde. Isso criou em seu entorno uma infinidade de paranoias, ceticismos e teorias da conspiração das quais é hoje vítima e não só difusor. Há quem pensa que tudo não passa de teatro.

Trump pode ter no corpo a exposição dos sintomas que não pode disfarçar em 280 caracteres. Isso tira dele sua arma principal porque está agora sob escrutínio e não em posição de ataque.

Mesmo que se recupere, e tente usar o próprio exemplo para provar a própria versão dos próprios fatos, não escapará de questionamentos sobre se ainda acha que a doença não é tão grave, não exige cuidados, quarentena, isolamento, etc.

Seria cômico, não fosse trágico, se essa percepção mudasse agora e não antes de o coronavírus matar mais de 200 mil compatriotas desde o início da pandemia.