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Trolar amigos em grupos do WhatsApp pode ter mais consequências que você imagina

Wagner Wakka

Uma das ondas mais recentes dentro do WhatsApp é a de grupo de imitações. Contudo, a prática de espalhar contatos entre pessoas desconhecidas pode gerar um outro problema: o de aumento das brincadeiras que podem fugir do aceitável.

O cenário é o seguinte: uma pessoa, querendo “trolar” um amigo, convida outras a entrarem em um grupo para fazer imitações sobre a vítima. Tudo na brincadeira. Entretanto, como não é possível controlar os compartilhamentos, mais e mais pessoas vão entrando na onda e, o que era brincadeira, acaba saindo do controle.

Isso é o que aconteceu com um jovem de 23 anos, em denúncia do UOL. Pedro Shibuya tem uma semelhança com o ex-apresentador do Bom Dia e Cia, do SBT, Yudi. Com isso, seus amigos criaram um grupo chamado “Pergunta se é o PlayStation” e começaram a compartilhar com o contato dele. Shibuya disse que até entrou na brincadeira, mas ficou por pelo menos três dias recebendo ligações de estranhos.

Embora tenha sido uma brincadeira leve com ele, há relatos de pessoas que tiveram que mudar o número do WhatsApp por conta de mesma “trolagem”.

Grupos são usados para compartilhar imitações, mas também expões números (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Mesmo que se pareça inocente, uma ação desta pode levar a uma ação penal. É o que explica o advogado Rodrigo Azevedo, sócio coordenador da área de Propriedade Intelectual e Direito Digital de Silveiro Advogados. Ele explica que a movimentação pode se enquadrar na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que deve entrar em vigor no ano que vem. “Pode sim causar constrangimento e danos indenizáveis. A matéria fica relevante com a LGPD que prevê que os dados pessoais pertencem à pessoa física e que o compartilhamento dos dados pode ser feito somente com o consentimento da pessoa ou outras hipóteses específicas”, lembra.

Contudo, ele também pondera que, apesar de ser passível de sanções, é preciso avaliar se o caso é realmente grave. “Sem com isso também ser querer ser rigoroso demais. Precisa ter uma dose do quanto o direito pode entrar isso. Quando é um pequeno desconforto, não deve ter intervenção”, acredita.

Entretanto, é possível que haja calúnia e difamação no processo. Assim, os responsáveis podem ser questionados civilmente, como em qualquer outro meio de comunicação. “Para fins da reparação, todos podem ser responsabilizados. Tanto quem começou, quanto quem compartilhou”, completa Azevedo. Neste casos, a questão seria resolvida em âmbito cível, ou seja, com pagamentos de multas e acordos, sem resultar na prisão.

Ele também levanta outra preocupação quando o caso envolve menores de idade. Atualmente, parte dos usuários do WhatsApp é de adolescentes, o que aumenta a chance de a brincadeira sair do controle. “O que me preocupa mais nestes casos, é quando envolve menores. A juventude tem hoje um canal de afirmação da personalidade. E é quando também acontece o bullying. Quando estamos falando de criança, este tipo de brincadeira pode ter um impacto muito forte. Aí, é preciso intervenção dos pais, acompanhamento de perto. Às vezes uma intervenção até de escolas”, opina.

Rede social

O Canaltech entrou em contato com a assessoria do WhatsApp para entender se há a intenção de coibir este tipo de ação e aguarda resposta. Contudo, atualmente a empresa lançou uma nova ferramenta que proíbe qualquer pessoa de adicionar você a um grupo, mesmo que faça parte da sua rede de contato. Isso já ajuda a diminuir a intromissão.

Diferente do Telegram, o WhatsApp ainda é atrelado a um número de usuário. Ou seja, se você quiser participar da rede, precisa usar seu número pessoal ou comercial para isso. O Facebook já demonstrou interesse em retirar esta obrigatoriedade, mas ainda não informou quando isso pode acontecer.


Fonte: Canaltech

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