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Tripulação americana na ISS pode ser reduzida com atrasos da Boeing e da SpaceX

Felipe Junqueira

A NASA pode parar as pesquisas e reduzir sua presença na Estação Espacial Internacional (ISS) em breve. De acordo com um novo relatório do Escritório do Inspetor Geral, assinado por Paul Martin, o atraso da SpaceX e da Boeing no desenvolvimento das naves Crew Dragon e Starliner, que levarão astronautas dos EUA à ISS, pode reduzir drasticamente as viagens americanas à órbita da Terra até que ambas sejam, enfim, inauguradas.

“Enquanto aguarda o início dos voos comerciais tripulados, a NASA deve experimentar uma redução no número da tripulação americana a bordo da ISS de três para um a partir da primavera de 2020 por conta de atrasos no desenvolvimento dos voos espaciais da Boeing e SpaceX, aliado a uma redução na frequência dos voos da Soyuz”, diz o relatório. A nave russa Soyuz é quem vem fazendo esse transporte de astronautas à ISS desde 2011, quando a NASA encerrou o programa de seus ônibus espaciais.

A SpaceX teve problemas em abril deste ano, quando uma de suas naves explodiu, o que já atrasou em três meses o início dos testes com voos tripulados de sua Crew Dragon. Em agosto, um problema parecido em um voo de carga atrasou um pouco mais os testes da empresa de Elon Musk. Já a Boeing teve um pequeno problema em novembro, quando um teste de abortagem de lançamento foi bem sucedido, mas um dos paraquedas não se abriu.

Testes da Crew Dragon e da Starliner estão atrasados (Imagem: SpaceX)

A NASA está com a certificação para os voos comerciais tripulados da SpaceX agendada para janeiro de 2020, enquanto a da Boeing está marcada para fevereiro. No entanto, o relatório aponta que nenhuma delas deve realmente estar pronta para os testes na data prevista, o que deve atrasar ainda mais o cronograma.

O Inspetor Geral Paul Martin acredita que as companhias só conseguirão começar a lançar astronautas ao espaço no verão norte-americano de 2020, que é no meio do ano, quando é inverno aqui no Brasil. Até lá, portanto, a tripulação americana a bordo da ISS deve mesmo ser reduzida, economizando a compra de assentos na nave russa.

Bilhões para os russos

O mesmo relatório ainda aponta que, nos últimos 20 anos, foram enviados 239 astronautas e cosmonautas à ISS em voos tripulados realizados pelas naves Soyuz e pelos ônibus espaciais americanos (programa que foi desativado). O governo dos EUA já pagou cerca de US$ 4 bilhões aos russos para levarem astronautas até o espaço.

“Até julho de 2019, a NASA comprou 70 assentos da Soyuz, que somam US$ 3,9 bilhões para transportar 70 astronautas americanos e parceiros para e da Estação Espacial Internacional”, calcula o relatório. O governo americano pode, então, evitar a compra de mais assentos nas naves russas, em vez de aumentar os pedidos como vinha sendo especulado.

Assim, a NASA pode focar apenas na manutenção da ISS, congelando as pesquisas espaciais até que SpaceX e Boeing consigam realizar os voos comerciais tripulados e, enfim permitir aos EUA se independerem do transporte russo.

Fonte: Canaltech

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