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Moro, Olavo e militares: 2 anos após eleição, base bolsonarista vive hoje em pé de guerra

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
A demonstrator holds inflatable toys depicting Justice Minister Sergio Moro and Brazil's President Jair Bolsonaro during a protest to demand a bill to repeal the recent Supreme Court ruling forbidding the detention of convicts until their final appeal fails, at Avenida Paulista, in Sao Paulo, Brazil December 8, 2019. REUTERS/Rahel Patrasso
Bonecos de Moro e Bolsonaro durante a campanha presidencial. Foto: Rahel Patrasso/Reuters

Quando foi eleito presidente, em outubro de 2018, Jair Bolsonaro projetou a base de seu governo como um tripé. Tentando se afastar do tal “toma-lá-dá-cá” e dos políticos profissionais, ele montou uma equipe com representantes das Forças Armadas, com um símbolo da Lava Jato e com estrelas da chamada ala ideológica.

Os primeiros eram representados pela escolha do vice, general Hamilton Mourão, e de generais estrelados em postos-chave, como Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Os segundos tinham um embaixador do Ministério da Justiça: o ex-juiz Sergio Moro, responsável por mandar prender o principal adversário do futuro chefe.

Os últimos tinham um comandante sem cargo, mas muita influência nos corredores: o escritor Olavo de Carvalho.

Menos de dois anos depois, o tripé virou lenda.

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Santos Cruz deixou o governo assustado com o despreparo do presidente e seus auxiliares. Foi seguido por Maynard Santa Rosa, que se demitiu da Secretaria de Assuntos Estratégicos, e de Otávio Rêgo Barros, demitido do cargo de porta-voz e que hoje coloca a boca no trombone sobre o governo que ajudou a servir.

Da ala militar, os que ficaram na primeira fileira não estão nem firmes nem fortes. O general Mourão vive sofrendo bullying do capitão, que não moveu uma palha quando um ministro da ala ideológica atacou em público um colega da ala militar, chamando-o de “Maria fofoca”.

Sergio Moro, a base que unia o governo a lava-jatistas, pegou o boné após ser humilhado na reunião de 22 de abril e ganhou fama de traidor após acusar o presidente de interferir indevidamente na Polícia Federal.

Sobrou a ala ideológica, que segue sob a guarda de um morador da Virgínia, nos EUA, e que já desancou todo mundo no governo, inclusive o presidente, a quem já chamou de “covarde” e ameaçou derrubar “dessa merda”. Coisa fina.

No começo desta semana, as alas divorciadas voltaram a se falar. Mas não para aparar arestas.

A reunião em público aconteceu no Twitter, onde Olavo descascou Santos Cruz, o mais respeitado dos militares que passaram pelo governo, após o ex-ministro classificar os auxiliares do presidente, em uma entrevista ao site O Antagonista, como um “pessoal limitado, que coloca tudo em termos de direita e esquerda”.

Olavo não gostou e escreveu um textão em público para o general. A mensagem terminava com uma ordem: “Seja homem”

Moro tomou as dores do ex-colega, de quem exaltou o currículo e disse ser “muito mais corajoso do que aqueles que usam as redes para atacar de longe a honra das pessoas de bem e das Forças Armadas”.

Como quem cutuca onça com vara curta, ouviu que a palavra “honra”, na boca de um traidor, torna-se obscena. Ah, sim, Moro foi chamado também de analfabeto e convidado a trocar uma ideia cara a cara quando fosse aos EUA. Faltou chamar pra porrada.

O desfecho melancólico do encontro de turmas, ou alas, é o retrato mal acabado da reunião que prometia deixar o governo em pé. Faltou combinar com a ala ideológica, que na busca de predomínio não desmoralizou apenas os integrantes e ex-integrantes da gestão, mas as instituições que representam ou um dia representaram.