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Trio brasileiro do kitesurfe hesita competir na Olimpíada de 2024

Fernando Del Carlo
·4 minuto de leitura
Carlos Mario é tricampeão mundial de kiteboarding (Instagram/@carlosmariobebe)
Carlos Mario é pentacampeão mundial de kiteboarding (Instagram/@carlosmariobebe)

O kitesurf é uma das modalidades que estreará nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. Ele fará parte das competições mistas de vela na categoria hydrofoil. O esporte aquático é baseado em uma pipa e uma prancha com suporte para os pés. O objetivo é o voo e deslize sobre as águas. Pode-se dizer que é uma mistura de windsurfe, surf e wakeboard. Requer resistência e coragem.

A pipa é presa em cinto na cintura do praticante ou esportista. Ele se coloca em cima da prancha sobre a água. A partir disto, o vento faz sua parte impulsionando a pipa. Através de uma barra de controle é possível direcionar o trajeto e fazer os saltos (manobras).

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A origem do kite, como também é chamado, aconteceu em 1985 no lançamento dos irmãos franceses Bruno e Dominique Legainoux. Eles praticavam o windsurfe, já navegavam e desenvolveram uma pipa com estrutura inflável. No entanto, atribui-se à época mais antiga a origem do esporte. Pela mão dos chineses ao usarem pipas para transportar cargas em embarcações.

O Brasil foi inserido neste cenário em 2000 ao receber disputas do circuito mundial na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Posteriormente, na região Nordeste, viveu um boom e continua sendo Meca do esporte. A praia de Cumbuco, entre outras como a barra do Cauípe, encravadas no município de Caucaia, a cerca de 15 quilômetros da capital cearense, em Fortaleza, agitam o esporte radical. Pessoas são atraídas por se constituir polo turístico, mas por oferecer à prática condições climáticas perfeitas para o kitesurfe. Segundo especialistas, há presença de ventos alísios (úmidos que sopram dos trópicos para o Equador).

No cenário global há três brasileiros que representam o país com destaque detendo vários títulos mundiais e fazendo daqui uma potência no esporte. Eles competem na categoria freestyle. Apesar de buscarem aprendizado para encarar a novidade na hydrofoil, há incertezas em competir na França. Os Jogos de Tóquio, que antecedem o evento de Paris neste ano, ainda não foram disputados, mas é oportuno o foco e o posicionamento dos brasileiros. Tudo para o planejamento voltado para os próximos quatro anos.

O cearense Carlos Mario, de 23 anos, pentacampeão mundial fala dos custos elevados de encarar a categoria olímpica. Bebê, apelido que ganhou na infância por ser um garoto “fofinho", ressalta diferenças e adaptações para os Jogos de Paris. “As despesas com as disputas do kite que participo chegam a 15 mil reais. Se for disputar a Hydrofoil, o valor pode superar 40 mil reais”, afirma.

“Além de ter de desembolsar verba maior é necessário a adaptação com a prancha e uma quilha no formato de T. O detalhe é que você fica no ar e fora da água, exceto quando você cai. Ainda vai ter de velejar a 40 km por hora e monitorado por relógio”, esclarece o resiliente atleta, que teve de operar o menisco em lesão após disputas.

Outra fera no meio e também representante do Ceará é Mikaili Sol, de apenas 16 anos. A moça é oriunda de família e irmão praticantes do kite. Começou aos oito anos. Tricampeã mundial, faturou no ano passado torneio virtual no esporte o Distance Battle, organizado pelo grupo GKA. Em função da pandemia da Covid-19, as manobras foram captadas virtualmente no país de cada atleta e julgadas por comissão de árbitros.

Sol ainda hesita para competir na França, mas mesmo assim tem se preparado com o maranhense Bruno Lobo. Ele foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2019 na Fórmula Kite. Evento na baía de Paracas, no Peru.

Já para a paulista de Vinhedo Bruna Kajiya, de 33 anos, kiteboarder profissional há 11 e detentora de inúmeros títulos (três mundiais, cinco vices e brasileiros), é importante a presença do esporte na Olimpíada. “Trata-se de regata de barco pequena. Talvez não represente a maioria do kitesurfe, mas é super válido divulgar”.

Ela é pioneira ao ser a primeira mulher a fazer um Back Side de 315. Trata-se de manobra com giro de 540 graus no ar passando a barra duas vezes pelas costas. Em relação a Bebê e Sol, sua postura é mais reticente. “Teria de trocar para o hydrofoil, algo que não estou certa”. Na verdade, Bruna é praticante-raiz e diz que precisa o olho brilhar, mas pode até reconsiderar sua presença nos jogos. Desde o início em Ilhabela até os dias atuais, ela tem várias histórias entre contusões e acidente que a afastou por longo tempo da pipa e da prancha. Chegou até a participar do filme Chapter One-lançado em 2017-, que reúne lendas, campeões e talentos da vibe do kitesurfe realizando manobras em praias da Nova Zelândia, Fiji e Brasil.