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Trinta anos de 'Nevermind': quando o Nirvana mudou a história do rock

·3 minuto de leitura
Retrato de Kurt Cobain nas ruas de Aberdeen, Estados Unidos, cidade natal do cantor, em 1º de abril de 2014 (AFP/Sébastien VUAGNAT)

Lançado há 30 anos, o álbum "Nevermind" do Nirvana mudou a história do rock e deu forma a um desencanto pós-adolescente que chega até os dias atuais, pelas mãos de artistas como Billie Eilish.

"Nevermind" chegou às lojas em 24 de setembro de 1991. "Foi um álbum que deixou o hard rock velho, o rock da moda na época, superficial, misógino e menos intenso", afirma à AFP a jornalista musical francesa Charlotte Blum, autora de um livro sobre o movimento "grunge". De fato, o álbum duplo do Guns N'Roses, "Use Your Illusion I & II", lançado apenas uma semana antes, ficou parecendo muito mais antigo.

Musicalmente, a explosão foi total, com "In Bloom" e "Come As You Are", que para o crítico musical americano Alex Ross oscilam "entre a meditação e a luta". Uma mistura de calma e tempestade que surgiu no estúdio de Butch Vig, produtor musical e baterista do grupo Garbage.

Para outro crítico do rock, o francês Nicolas Dupuy, é uma síntese entre "Black Sabbath e Beatles".

E, embora três décadas depois "Nevermind" também seja notícia por motivos negativos (o bebê na capa processou o Nirvana no final de agosto por pornografia infantil), o rock nunca mais foi o mesmo depois do single "Smells Like Teen Spirit", cujo videoclipe era exibido sem trégua na MTV, "o meio de comunicação de referência da época", afirma Blum.

- "HBO da música" -

"'Nevermind' inaugurou o 'grunge', conseguiu seu objetivo", conta Dupuy. Os integrantes do Nirvana (Cobain, Dave Groh e Krist Novoselic) esperavam apenas que as vendas permitissem pagar o aluguel, mas o álbum destronou "Dangerous", o oitavo disco de estúdio de Michael Jackson, do primeiro lugar nas listas de vendas.

Mas o papel de profeta do rock era excessivo para Kurt Cobain. O sucesso e o vício em drogas não ajudaram. Ele cometeu suicídio em 1994, aos 27 anos, mesma idade das mortes de Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix.

Cobain teve tempo, no entanto, de transformar sua carreira em uma mensagem política. "Ele usava vestidos e dizia abertamente 'se você é racista ou homofóbico não venha aos nossos shows'. Também convidava grupos formados por mulheres para tocar ems suas turnês", recorda Charlotte Blum.

Atualmente, os artistas que destacam a influência do segundo álbum do grupo vão além dos grupos com guitarras. Para rappers como Travis Scott (nascido en 1991 e que veste com frequência camisas do Nirvana), Kurt Cobain "poderia ter sido um artista do hip-hop" por seu discurso anticonformista.

Outros rappers americanos, como Post Malone ou Kid Cudi, homenageiam o cantor usando vestidos floridos em suas apresentações.

"Com 'Nevermind', o Nirvana se tornou a HBO da música: todos os que fazem séries assistem a HBO, e todos os músicos de hoje já ouviram o Nirvana", afirma Blum sobre a natureza intergeracional do grupo.

- Sem rótulo -

Mas como afirma o ex-baterista do grupo, Dave Grohl, atualmente líder do Foo Fighters, Billie Eilish é quem simboliza com mais clareza atualmente a herança do Nirvana.

"Minhas filhas estão obcecadas com Billie Eilish. Sua conexão com o público é a mesma que o Nirvana tinha em 1991", afirmou Grohl. Para ele, a cantora de apenas 19 anos fala para as mesmas pessoas: todos aqueles que não sentem cômodos em uma sociedade muito codificada.

"Grohl tem razão, Eilish não é conformista, não se deixa rotular”, explica Blum, um paralelo que também se reflete no segundo álbum da jovem artista, lançado recentemente e com o título irônico de "Happier Than Ever" ("Mais Feliz do que Nunca"), no qual aborda o peso do sucesso e da fama, temas importantes em "In Utero", o álbum lançado pelo Nirvana após o sucesso de "Nevermind".

pgr/uh/or/grp/es/fp

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