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Trilha do próprio YouTube está desmonetizando canais de influenciadores

Rafael Arbulu

Usar uma trilha sonora em um vídeo do YouTube é sempre um jogo de cartas às cegas: devido às regras de direitos autorais da rede de vídeos do Google, são inúmeros os casos de influenciadores que viram vídeos seus destituídos de publicação ou com a renda publicitária afetada pelo uso de uma música que pertence a outra pessoa. Esse não parece ter sido o caso de Matt Lowne, mas isso não o impediu de sofrer as mesmas consequências.

Segundo o site TorrentFreak, Lowne, que tem um canal voltado a um jogo específico — Kerbal Space Program —, recebeu em uma certa manhã mais de 20 e-mails do sistema automatizado de alertas do YouTube, todos dizendo que, devido a um pedido por reclamação de direitos autorais, toda a renda publicitária decorrente dos vídeos relacionados ao jogo seriam divididas entre ele, a Sony e a Warner. Detalhe: Lowne usava como trilha sonora de seus vídeos a música Dreams, de Joakim Karud. A trilha em questão está disponível livremente para uso dentro da própria biblioteca de áudios do YouTube.

Os e-mails recebidos por Matt Lowne, alertando-o da desmonetização de seu material (Imagem: Reprodução/TorrentFreak)

Os e-mails recebidos pelo influenciador notavam, sem exceção, que “o vídeo em questão pode conter conteúdo licenciado pela SonyATV, PeerMusic, Warner Chappell, Audiam e LatinAutor”. Também há neles a anotação de que, dali em diante, qualquer anúncio exibido em qualquer um dos 24 vídeos citados geraria renda dividida entre ele e as empresas mencionadas. Não há, claro, como saber quanto disso sobraria para Lowne, já que a renda de publicidades no YouTube é variável.

Evidentemente, Matt contestou as reivindicações das empresas nos vídeos, apenas para tê-las todas rejeitadas, “como se tudo viesse de um bot ou algo assim”, ele disse. Vendo-se em uma situação cuja vitória parecia mais e mais distante, a única opção dele seria a de contestar as acusações uma a uma. O problema: para cada contestação que ele perdesse, o vídeo seria removido completamente do YouTube e ele receberia uma advertência. Somando três advertências, sua conta é banida da rede permanentemente. Considerando que são 24 vídeos reclamados, isso não é muito atraente.

Buscando pela rede, foi possível identificar que outros usuários também tiveram o mesmo problema, até que alguém no Twitter veio com uma explicação que, honestamente, cabe ao leitor acatar ou não: Joakin Karud publicamente permite que sua música Dreams seja usada por qualquer pessoa de graça, mesmo comercialmente. O problema é que Dreams tem uma parte sampleada da original Weaver of Dreams, do Kenny Burrell’s Quartet. Essa última não apenas não é uma música da biblioteca do YouTube, como tem registros autorais em nome de, veja só, Sony/ATV Music Publishing LLC e Warner/Chappell Music, Inc.

Considerando o fato de que Dreams é uma música disponibilizada dentro da biblioteca de áudio do YouTube, ainda que uma parcela dela venha de outra faixa com direitos protegidos, essa situação tem potencial para gerar uma considerável revolução dentro da plataforma. Afinal, os youtubers que usaram a faixa liberada o fizeram sem intenção de dolo, baixando-a de uma fonte que julgaram ser confiável — o próprio YouTube. Por outro lado, a maioria dos países com legislações vigentes em direitos autorais também prevê a proteção dos mesmos ainda que apenas uma parcela de uma música tenha sido usada.

Se muito, o YouTube deve proceder com as devidas correções, não os seus influenciadores. Mas até agora a rede do Google não se pronunciou sobre o caso.

Fonte: Canaltech

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