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Tributação sobre teles pode ampliar desigualdade no acesso à tecnologia, diz TIM

Lu Aiko Otta

Segundo executivo da companhia, ampliação de serviços remotos na pandemia mostra que o setor deveria ser considerado como interesse público A carga tributária de 40% que incide sobre o setor de telecomunicações, a mais alta do mundo, é “perversa” porque pode ampliar o vão entre as pessoas que têm e as que não têm acesso à tecnologia, disse há pouco o Chief Tecnology Officer (CTO) da TIM, Leonardo Capdeville, no seminário “O Futuro da Telecom”, promovido pela Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia.

A pandemia, disse ele, descortinou o que já estava disponível e que não era utilizado: o teletrabalho, o ensino à distância, a telemedicina. Deixou claros os ganhos de produtividade que essas ferramentas podem proporcionar.

A tecnologia permite que serviços de qualidade em áreas como saúde e educação cheguem a todo o país. “Mas é preciso cuidado, porque ao mesmo tempo em que inclui, a tecnologia pode aumentar a diferença entre quem tem e quem não tem acesso”, afirmou. Por isso, ele acredita que o governo deveria, cada vez mais, tratar as telecomunicações como um serviço básico e de interesse público.

O Brasil é expoente no uso de tecnologia no agronegócio, disse. Mas a carga tributária pode ser um empecilho a que outros setores ampliem o uso de tecnologia. Ele citou um estudo do Ministério da Economia que estimou em R$ 249 bilhões os ganhos com aumento de competitividade na economia brasileira até 2035.

Para o CTO da TIM, há duas ondas disruptivas à frente: a internet 5G e o mercado de clouding. Para ilustrar o que pode ser produzido com o 5G, ele contou que foi feito um teste de uso dessa tecnologia, em que foi possível fazer uma ultrassonografia à distância.

Os serviços de clouding, disse ele, poderão dar às micro e pequenas empresas o acesso a tecnologias como inteligência artificial, big data e analytics. Para isso, porém, é necessário que os serviços estejam ao alcance delas. Cabe ao Ministério da Economia o papel de “maestro” de todo esse processo transformador, afirmou.

Investimentos

Nos cálculos de Raul Katz, do Instituto de Tele-Informação de Columbia, universalizar a cobertura de internet no Brasil demandaria investimentos de US$ 48 bilhões. “Isso é um problema”, disse Katz. Seria necessário elevar os investimentos em infraestrutura, mas o setor de telecomunicações no Brasil já investe 20% de suas receitas.

O especialista alertou também que a infraestrutura de telecomunicações não é o único problema a ser superado para o Brasil se beneficiar das novas tecnologias. É preciso, disse, treinar pessoas e modificar o modo de produção das empresas. É preciso também melhorar a infraestrutura logística para que haja ganhos de produtividade.

Katz alertou para a importância de garantir o acesso das micro e pequenas empresas às novas tecnologias, pois são mais abertas a inovações.

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Nattanan Kanchanaprat / Pixabay