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Três tendências para levar em conta ao diversificar seus investimentos

Só a diversificação poderá salvá-lo da volatilidade do mercado e dos ativos individuais. 

Se existe um conceito mais importante no mundo dos investimentos do que a diversificação, eu o desconheço. Seria maravilhoso, ou problemático, por outro lado, se soubéssemos exatamente quais ativos seriam mais rentáveis no futuro. Mas isso é impossível, por isso que devemos diversificar nosso portfólio. Neste texto, pretendo demonstrar a importância dessa estratégia e formas práticas de agir.

Só para dar um exemplo, imagine que que você invista apenas em empresas do setor de carnes brasileiro. Se alguma doença acomete os rebanhos do País e impede com que essas empresas exportem a carne, imagine o quanto essas companhias serão desvalorizadas. O prejuízo em sua carteira será certeiro.

Se, por outro lado, você tem alternativas no seu portfólio, com empresas do setor bancário, de tecnologia ou serviços, por exemplo, é grande a chance que consiga manter um nível de rentabilidade mais satisfatório nesse período, equilibrando os riscos. Existem especialistas, inclusive, que recomendam que essa diversificação seja a mais variada possível, com empresas que menos se relacionem entre si. Muito se fala em diversificação, mas nem tanto se fala dos tipos de diversificação que devemos praticar para proteção do patrimônio que queremos construir.

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Parece óbvio, mas a diversificação deve começar pelas classes de ativos. É importante fazer um portfólio que possua uma variedade de tipos que incluem, inclusive, aplicações em renda fixa. Fundos imobiliários, ações, letras de crédito, CDBs e títulos do Tesouro Nacional são algumas opções para quem quer uma carteira diversificada e, por consequência, mais saudável. É claro que os objetivos e recursos disponíveis vão influenciar na porcentagem que cada um desses itens, mas é importante garantir a variedade. 

Na sequência, é importante voltarmos à questão das correlações, pensando principalmente nos setores da economia. Um bom exercício é pensar de forma intuitiva mesmo.  Qual a relação de uma empresa de aço na China com uma empresa de conteúdo brasileira? Se a resposta é pouca, siga na aquisição. Se os negócios em que quiser investir têm muita relação, talvez seja melhor repensar o portfólio. Pensando na sua estratégia de longo prazo, a ideia é também analisar se aquele negócio faz sentido para você, não usar apenas diversificação setorial como norte.

Por último, mas de longe menos importante, é preciso pensar no aspecto geográfico da coisa. Quem investe em diferentes ativos em diferentes setores pode estar com “ovos diferentes em uma mesma cesta”. Se expor a outras economias é muito importante para se proteger do risco Brasil, por exemplo. Em uma crise nacional em que toda a bolsa brasileira é afetada, não há alternativas para quem não tem ações estrangeiras. A alta do dólar é outro aspecto do qual você será protegido adquirindo ativos internacionais. Entre as opções de investimento no exterior estão empresas listadas na bolsa americana, produtos de renda fixa ou setor imobiliário, ou o investimento de forma indireta, por meio de ETFs (Exchange Traded Funds) e BDRs (Brazilian Depositary Receipts).

Sempre que falamos em diversificação, costuma ficar a dúvida sobre a quantidade de ativos em que se deve investir. Eu costumo indicar uma quantidade de entre 15 e 20 papéis. Pensando assim, é natural que algum deles poderão performar muito bem e outros muito mal. E daí caímos novamente no pensamento de que deveríamos ter se concentrado no que subiu. Fácil falar depois do que aconteceu. Voltamos na mesma tecla. Mas devemos lembrar que só a diversificação poderá salvá-lo da volatilidade do mercado e dos ativos individuais.