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Tratamento com plasma de sobreviventes da COVID-19 avança em pesquisas

Fidel Forato

Na busca por tratamentos contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), uma importante aposta dos cientistas é o uso das células do sistema imunológico de pacientes que sobreviveram à COVID-19. Nesse sentido, um remédio já começa a ser testado em humanos e uma pesquisa chinesa recém-publicada aponta também para esse caminho.

De acordo com a pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association, cinco pacientes foram hospitalizados em Shenzhen, na China, com sintomas graves de COVID-19. No hospital, o grupo de pacientes recebeu uma transfusão de plasma experimental e, desde então, se recuperaram em graus variados.

Tratamento com plasma de sobreviventes da COVID-19 parece ser promissor (Foto: reprodução/ Doc Player)  

Entenda o estudo

Os médicos chineses conduziram o estudo em um hospital de Shenzhen, entre os dias 20 de janeiro a 25 de março, com cinco pacientes, de idades entre 36 e 73 anos. Os doentes receberam o plasma experimental de 10 a 22 dias após serem internados.

Logo, após três dias da primeira transfusão, quatro dos cinco já tiveram sua temperatura corporal normalizada. Quatro dos cinco também viram seus casos de desconforto respiratório agudo resolvidos em 12 dias. Na conclusão da pesquisa, três dos pacientes receberam alta do hospital. Os outros dois estavam em condições estáveis, mas ainda precisavam usar ventiladores e, assim, continuavam internados.

No caso dos plasma, foram pacientes recuperados da COVID-19 que forneceram o tratamento experimental, a partir de doações de sangue. Nesse estudo, todos os doadores se recuperaram do coronavírus e relataram sentir-se bem por pelo menos 10 dias, antes da doação. Além disso, o plasma foi transferido para os pacientes no mesmo dia em que foi obtido, relatam os pesquisadores.

Embora a pesquisa seja limitada pelo baixo número de pacientes que participaram, as descobertas apoiam estudos mais robustos para o tratamento da COVID-19, que é conhecido como transfusão de plasma convalescente.

Novas descobertas

Com esses resultados, dois especialistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, John Roback e Jeannette Guarner, levantaram novas possibilidades que as descobertas podem proporcionar para o estudo do coronavírus. Mesmo com as limitações, os achados iniciais levantam a possibilidade de transfusão de plasma como um tratamento eficaz para COVID-19, principalmente para os casos mais graves.

"Os resultados destacam a possibilidade de que anticorpos do plasma convalescente possam ter contribuído para a eliminação do vírus e também para a melhora dos sintomas", escreveram os pesquisadores. Além disso, Roback e Guarner lembram que tratamentos plasmáticos semelhantes mostraram benefícios no passado, com o uso durante o surto de SARS, em 2002, e o surto de H1N1, em 2009. 

"Se os resultados de investigações rigorosamente conduzidas, como um ensaio clínico randomizado em larga escala, demonstrarem eficácia, o uso dessa terapia também poderá ajudar a mudar o curso dessa pandemia", disseram os especialistas da Emory. Se for comprovado que o tratamento funciona, um desafio será aumentar as doações de sangue entre os sobreviventes.

Fonte: Canaltech