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Transporte aéreo global de passageiros desacelera e de cargas recua, diz Iata

Cibelle Bouças

O tráfego aéreo de passageiros no mundo cresceu 2,4% em relação ao primeiro mês de 2019 O transporte aéreo global de passageiros diminuiu seu ritmo de crescimento em janeiro de 2020, já em consequência do surgimento dos casos do coronavírus (Covid-19) na China, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que representa as 290 maiores empresas aéreas do mundo.

Devido ao coronavírus, passageiros são monitorados no aeroporto de Belgrado, na Sérvia

Oliver Bunic/Bloomberg

Em janeiro, o tráfego aéreo de passageiros no mundo cresceu 2,4% em relação ao primeiro mês de 2019. O tráfego é medido em receita por passageiro por quilômetro, ou RPK, na sigla em inglês. O resultado, contudo, representou uma desaceleração em relação a dezembro, quando a demanda cresceu 4,6%. É o desempenho mais fraco desde abril de 2010, quando um vulcão da Islândia espalhou cinzas pelo espaço, obrigando o setor aéreo a cancelar uma série de voos na Europa.

A capacidade oferecida pelas companhias aéreas em assentos por quilômetro (Ask, na sigla em inglês) aumentou 1,7%. A taxa média de ocupação dos voos teve incremento de 0,6 ponto percentual, para 80,3%.

“Janeiro foi apenas a ponta do iceberg em termos de impactos no tráfego que estamos vendo devido ao surto de Covid-19, dado que as principais restrições de viagens na China não começaram até 23 de janeiro. No entanto, já foi suficiente para tornar o crescimento do tráfego mais lento em quase uma década”, afirmou, em comunicado, Alexandre de Juniac, presidente da Iata.

Na avaliação do executivo, o surto do Covid-19 é uma “crise global que testa não apenas o setor de aviação, mas também a economia global”. “As companhias aéreas estão sofrendo quedas de dois dígitos na demanda e em muitas rotas o tráfego diminuiu. Os aviões estão em solo e os funcionários estão de licença não remunerada”, afirmou o executivo.

América Latina e Ásia

Na América Latina, o tráfego de passageiros em voos internacionais cresceu 0,4% em janeiro, enquanto a oferta de assentos ficou estável. A taxa média de ocupação dos voos aumentou 0,3 ponto percentual, para 82,6%.

Na região da Ásia Pacífico, o tráfego de passageiros em voos internacionais cresceu 0,4%. A oferta de assentos aumentou 2,2%. A taxa de ocupação dos voos encolheu 1,5 ponto percentual, para 79,9%.

Considerando voos dentro de cada país, o tráfego de passageiros no mundo cresceu 2,3%. A oferta de assentos aumentou 3%. A taxa de ocupação recuou 0,5 ponto percentual, para 78,9%.

No Brasil, o transporte de passageiros cresceu 2,1% em janeiro, enquanto a oferta de assentos aumentou 0,1%. A taxa média de ocupação dos voos foi de 85,7%, com alta de 1,6 ponto percentual.

Na China continental, houve queda de 6,8% no tráfego de passageiros em voos domésticos. A oferta de assentos encolheu 0,2%. A taxa de ocupação dos voos recuou 5,4 pontos percentuais, para 76,7%. O Ministério dos Transportes da China registrou uma queda anual de 80% nos voos entre o fim de janeiro e o início de fevereiro.

Cargas

Já o transporte aéreo mundial de cargas recuou 3,3% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2019, segundo a Iata. Este foi o décimo mês consecutivo de queda no transporte aéreo de cargas.

De acordo com a associação, havia um otimismo de que o alívio das tensões comerciais entre Estados Unidos e China daria impulso ao comércio internacional em 2020. No entanto, o surto de Covid-19 interrompeu a atividade das cadeias globais de suprimento, afetando o transporte de cargas em janeiro.

“Tempos difíceis estão à frente. O curso dos eventos futuros não está claro, mas este é um setor demonstrou capacidade de resistência várias vezes”, afirmou, em comunicado, o presidente da Iata.

A oferta de espaço para cargas nos aviões, medida em carga por quilômetro disponível (ACTK, na sigla em inglês), aumentou 0,9% em janeiro.

A taxa de ocupação de cargas nos voos caiu 1,9 ponto percentual, para 45%.

A Iata considera improvável que o surto de coronavírus tenha a ver com o fraco desempenho de janeiro. O Ano-Novo Lunar em 2020 foi mais cedo do que em 2019. Isso distorceu os números de 2020, pois muitos fabricantes chineses estariam fechados durante o feriado. Na visão da Iata, o desempenho de fevereiro vai mostrar de forma mais clara o efeito do coronavírus na carga aérea global.

Entre as regiões, apenas a África e a América Latina apresentaram crescimento no frete aéreo, de 6,8% e 1,4%, respectivamente. Na América Latina, o aumento foi sustentado por novas rotas na malha aérea.

A maior queda foi na Ásia-Pacífico, que teve retração de 5,9%. Na Europa, houve queda de 3,7%. No Oriente Médio, a queda foi de 1,4%, e na América do Norte, de 1,3%.