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Transmissora de energia Taesa vê lucro saltar 195% no 4° tri com ajuda do IGP-M

·3 minuto de leitura
Linhas de transmissão de energia no Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - A transmissora de energia elétrica Taesa registrou lucro líquido de 829 milhões de reais no quarto trimestre de 2020, um salto de 194,7% na comparação anual, ajudada pela disparada do IGP-M, que corrige parte de seus contratos, e após aquisições e conclusão de projetos.

A empresa, controlada pela estatal mineira Cemig e pela colombiana ISA, fechou 2020 com ganhos totais de 2,26 bilhões de reais, pouco mais que o dobro do resultado de 1,1 bilhão em 2019, segundo balanço divulgado na noite de quarta-feira.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) regulatório foi de 302 milhões de reais no último trimestre de 2020, alta de 17% ano a ano, com margem de 78,9%, contra 76,1% em mesmo período de 2019.

No ano, a companhia encerrou com margem Ebitda de 81,9%, contra 82,7% em 2019.

A receita líquida da Taesa para o período de outubro a dezembro somou 1,17 bilhão de reais, com significativa expansão de 148,5% em base anual, "em função das aquisições recentes e entrada em operação de algumas concessões", segundo a empresa.

Também houve impacto positivo do reajuste inflacionário de receitas asseguradas em contratos de concessão da empresa, parte eles associados ao índice de inflação IGP-M, que disparou em 2020, com alta acumulada de 24,5% no ano.

Enquanto no último trimestre de 2020 o IGP-M avançou um acumulado de 11,24%, em 2019 o índice chegou a ter variação negativa de 0,01% em setembro e acumulou 0,97% nos últimos três meses, destacou a Taesa.

A correção monetária dos ativos rendeu 493,5 milhões de reais em receita líquida para a empresa no trimestre, impressionantes 1.290% a mais que no mesmo período de 2019. No fechado do ano, foram 1 bilhão de reais, alta de 513%.

Além disso, a Taesa concluiu em 2020, no primeiro semestre, as aquisições da São João Transmissora, São Pedro Transmissora e Lagoa Nova Transmissora, enquanto energizou dois empreendimentos novos, EDTE e Mariana.

Com esses efeitos, a Taesa destacou que voltou a registrar crescimento do resultado operacional após dois anos de redução de receita devido à menor remuneração de linhas de transmissão mais antigas.

Os custos, despesas, depreciação e amortização regulatórios da companhia aumentaram 9,6% no último trimestre, para 143,6 milhões de reais, enquanto avançaram 18,8% em 2020, para 517,8 milhões.

Mas custos com pessoal, material, serviços e outros recuaram 0,4% no último trimestre, para 80,9 milhões, embora tenham subido 14,6% no ano, para 275,7 milhões de reais.

A Taesa fechou 2020 com investimentos totais de 1,5 bilhão de reais, contra 718,3 milhões em 2019. O valor ficou abaixo do previsto pela companhia, devido ao atraso em uma licença ambiental, mas a Taesa disse que aumentou com isso as projeções para 2021.

A companhia prevê aportes neste ano (Capex nominal) de entre 570 milhões e 630 milhões de reais, contra de 310 milhões a 340 milhões antes.

DIVIDENDOS

O conselho da Taesa aprovou proposta de 561,9 milhões de reais em dividendos adicionais propostos, a serem pagos até 31 de maio, ou 1,63 real por Unit.

Caso a proposta seja aprovada em assembleia, a empresa terá distribuído um total de 1,6 bilhão de reais em proventos aos acionistas pelo resultado de 2020, incluindo pagamentos anteriores, ou 98,5% do lucro líquido ajustado.

A Taesa encerrou 2020 com dívida líquida de 5,2 bilhões de reais, alta de 12,6% frente ao final do terceiro trimestre. A companhia tem 905,6 milhões de reais em caixa.

A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 3,8 vezes ao final do ano, acima das 3,4 vezes ao fim de setembro de 2020.

(Por Luciano Costa)