Mercado fechado

Crise do coronavírus força transformação digital em setores

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Se antes havia alguma resistência de setores tradicionais em mergulhar de cabeça na inovação digital, agora essa resistência sumiu e se tornou obrigação. Com o avanço da pandemia do novo coronavírus no País, muitos setores considerados conservadores se viram obrigados a digitalizar processos para, assim, atingir as pessoas isoladas em suas casas.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

São aulas feitas em plataformas de vídeo, reuniões de condomínio em apps, aceleração na entrega de comida por delivery. Várias transformações em um curtíssimo período de tempo.

Leia também

“Não há dúvida de que a transformação digital está acontecendo por imposição do cenário. É mudar ou morrer”, diz Silvio Kotujansky, VP de Mercado da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina. “A saída é tomar atitudes drásticas de forma rápida e efetiva”.

Setores mais afetados

É difícil compreender, num primeiro momento, como o mundo sairá da crise do coronavírus. Afinal, num período tão imprevisível e de final incerto, não é simples analisar e prever como setores irão se comportar ou, até mesmo, qual vai ser o grau de impacto econômico. No entanto, especialistas consultados pelo Yahoo! Finanças apontam algumas áreas centrais.

Primeiramente, a educação deve ficar cada vez mais centralizada no digital, com aulas se dividindo entre presenciais e à distância. Depois, no ramo da saúde, a telemedicina passará a ter mais aceitação pela sociedade, já que precisará ser amplamente usada no ápice da crise de hospitais. Por fim, o varejo terá que digitalizar todas suas frentes durante a crise.

Afinal, a aceleração dessa crise irá exigir que as empresas se adaptem rapidamente. O consumidor, enquanto isso, irá conhecer e descobrir novas formas de se relacionar.

O fato, porém, é que nada sairá imune. “Todos setores serão afetados”, diz Eduardo Gallo, presidente da Service IT, integradora de TI. “O varejo irá se transformar para atender um novo consumidor. Eventos a trabalho poderão ser substituídos por videoconferências. Novas forma de logística serão implementadas, eventualmente acelerando uso de drones”.

Passo a passo

Obviamente, essa transformação não vai acontecer da noite para o dia. Especialistas afirmam que irá acontecer aos poucos, enquanto o comportamento dos consumidores ao redor de todo o mundo se adapta. Kotujansky, da ACATE, ressalta três etapas: a de sobrevivência, a de retomada lenta e, por fim, a de escalar as mudanças que surgiram.

Na primeira, é a questão do isolamento social. As pessoas param de sair às ruas e serviços que dependem do “mundo real” são afetados, como varejo, turismo e construção civil, que buscam alternativas. Enquanto isso, saúde, mercados, farmácias e tecnologia ganham força, muitas vezes com alternativas digitais — segurança da informação, EaD, telemedicina.

“As pessoas pararam por ordens médica. Mas não dá para viver de ar. Por isso, a digitalização surge como medida desesperada. Aos poucos, porém, é naturalizada”, afirma Tomás Souza, pesquisador em cultura organizacional. “É o momento de experimentar o home office, o delivery, a telemedicina, o EaD. O mundo, enfim, está se testando”.

Depois, na etapa de retomada lenta, as pessoas encaram uma liberação gradativa do isolamento social. “Mais pessoas circulando e consumindo, mas com muitas demissões e pouco dinheiro circulando. É uma etapa de reconstrução e entendimento. É sabido que o mundo não será o mesmo. Mas que mundo habitaremos, não sabemos”, diz Kotujansky.

Por fim, com o mundo “voltando a se conhecer”, o mercado passa a absorver essas mudanças e, muitas vezes, escalando para atingir ainda mais pessoas. Um mundo digital, no qual as pessoas usarão mais e-commerce, plataformas de vídeo por ensino, consultas médicas à distância, home office, teleterapia e até um foco maior em segurança digital.

“Estamos passando por uma mudança radical no nosso comportamento. Vamos acabar exigindo muito mais tecnologia na nossa vida. Nossos hábitos serão diferentes”, explicou Eduardo Gallo, da Service IT. “Se no futuro perguntarem o que realmente acelerou a transformação, talvez a resposta não seja nem o CEO nem o CIO. Talvez seja a covid-19”.

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.