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Ele vendia coxinhas na infância e hoje fatura R$ 1 bi

José Carlos Semenzato, fundador da Microlins (Foto: Divulgação)

Por Melissa Santos

José Carlos Semenzato nasceu em uma família pobre no interior de São Paulo. Aos sete anos, ajudava seu pai a carregar tijolos em obras. Cerca de seis anos depois, deixou a construção civil para vender as coxinhas que sua mãe fazia pela vizinhança. Hoje, olha para trás e lembra vitorioso do início da caminhada de quem criou a Microlins e hoje está à frente da SMZTO Holding de Franquias Multissetoriais.

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O espírito empreendedor veio dessa época. Para vender mais salgados, colocou outros dois tios que tinham a mesma idade para vender, além de passar nas casas na "hora da fome". "Todo sábado era dia de receber. Vendia 600 coxinhas por dia. Em um pouco mais de um ano, comprei uma bicicleta e tempos depois juntei para comprar um Fusca", relembra.

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Como sempre gostou de novidades e inovação, aos 15 anos, ele resolveu se inscrever para um curso de computação e começou a trabalhar em uma copiadora. "Em um ano me tornei gerente de operação porque trabalhava com um atendimento ao público primoroso, qualidade que fez com que vários clientes só quisessem ser atendidos por mim", fala.

Meses depois, José Carlos foi convidado para trabalhar em uma grande construtora como programador. "Esse mundo me fascinava: passava de 12h a 14h dentro de uma sala programando. Com isso, aos 17 anos, eu já tinha desenvolvido softwares de controle de gado, de contas a pagar e a receber, de controle de estoque", conta.

E, aos 18, ele foi convidado pelo Instituto Americano de Lins para ser professor de segundo grau em computação. "Dar aulas para alunos praticamente da minha idade foi um desafio enorme. Passados seis meses, eles começaram a me procurar para aulas de reforço aos sábados e domingos. Comecei a dar essas aulas adicionais no computador do meu sogro, em uma padaria em Lins", fala.

Em 1991, aos 23 anos, ele resolveu trocar o emprego de professor, em que tinha um ótimo salário, para criar a Microlins. "Com toda minha rescisão – e em meio às emoções do nascimento do meu primeiro filho – comprei quatro computadores. Juntei todas as economias adicionais que tinha e criei o negócio", diz.

José Carlos passou por vários desafios e um dos mais críticos foi em 1995, logo após o Plano Real, onde ele quase faliu. Na época, o empresário contava com 17 escolas próprias da Microlins. "As mensalidades dos alunos caíram, enquanto os juros de empréstimos feitos por leasing dispararam. Eu dormia e acordava com cobradores", fala.

José Carlos Semenzato, fundador da Microlins (Foto: Divulgação)

Mesmo assim, ele mantinha o otimismo simbolizado por um carrão na garagem. "Visitava os possíveis clientes e parceiros de negócios com meu BMW e tinha uma estratégia de estacionar o carro em frente à garagem deles. Quando perguntavam a quem pertencia o veículo, eu erguia o braço, orgulhoso. Você precisa sempre mostrar poder, ninguém faz negócios com coitadinhos", afirma.

Com a crise, José Carlos só tinha duas opções: tornar sua empresa em uma rede de franquias, conceito que nem sequer conhecia à época, ou fechar as portas. "O franchising entrou na minha vida por necessidade, não por planejamento. Em seis meses, das 17 escolas próprias, 16 viraram franquias. A unidade de Lins continuou própria", diz. Ao todo, a Microlins chegou a ter 700 franquias e mais de 500 mil alunos.

Dez anos depois, a Microlins foi vendida para o Grupo Multi por R$ 110 milhões na época. Neste mesmo ano, o empresário criou a SMZTO Holding de Franquias Multissetoriais com o propósito de acelerar negócios promissores por meio do franchising.

A SMZTO tem participação societária em 12 empresas, como Espaçolaser, OdontoCompany, Oakberry, Instituto Embelleze, Casa X e L'Entrecóte de Paris, entre outras, que totalizam cerca de 1.800 franquias. No ano passado, a holding faturou R$ 1,45 bilhão, crescimento de 20% em relação a 2017. A meta este ano é atingir R$ 2,2 bilhões de faturamento.