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Tragédia de Brumadinho leva indústria extrativa a ter pior resultado em 16 anos

Bruno Villas Bôas

A indústria extrativa não conseguiu recuperar o nível de produção registrado antes do rompimento da barragem da Vale A indústria extrativa não conseguiu recuperar o nível de produção registrado antes do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), ocorrido em 25 de janeiro. Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor extrativo fechou 2019 com queda de 9,7% frente ao ano anterior.

Leo Correa / Associated Press

Trata-se do pior desempenho da indústria extrativa desde 2003, o primeiro ano da série história da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE. E a queda não foi ainda mais intensa porque dentro do setor extrativo está a atividade de produção de petróleo, que registrou desempenho positivo em 2019.

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Além do rompimento da barragem em Minas Gerais, a produção de minério de ferro foi afetada pontualmente ao longo do ano por interrupções nas operações do Sistema Norte da Vale, o que inclui empreendimentos situados em Carajás e o mega empreendimento S11D, ambos no Pará.

Com o resultado, a indústria extrativa foi a principal responsável pela queda 1,1% da produção da indústria nacional em 2019, desempenho que interrompeu uma sequência de dois anos seguidos de recuperação do setor — alta de 2,5% em 2017 e avanço de 1% em 2018.

Também pesaram para a queda da indústria geral no ano passado, em relação ao ano anterior, a fabricação de produtos siderúrgicos e tubos de aço (baixa de 2,9%), celulose e papel (retração de 3,9%) e a atividade de manutenção de máquinas e equipamentos (queda de 9,1%), destacou o IBGE.

Nesta terça-feira, o instituto divulgou que a produção industrial brasileira recuou 0,7% em dezembro, na comparação com novembro, pela série com ajuste sazonal da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF).

Quando comparada a dezembro de 2018, a produção do setor mostrou queda de 1,2%. Com mais um mês de resultado negativo, a indústria fechou 2019 com queda acumulada de 1,1%, interrompendo dois anos consecutivos de crescimento: 2017 (avanço de 2,5%) e 2018 ( alta de 1%).