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Trafigura alerta para corte de energia na Europa neste inverno

·2 min de leitura
Marca da companhia na entrada da empresa em Genebra

Por Mohi Narayan e Mai Nguyen

(Reuters) - A Europa corre o risco de cortes de energia neste inverno devido às reservas insuficientes de gás e, no longo prazo, o petróleo pode subir acima de 100 dólares o barril, disse o presidente-executivo da gigante do comércio de commodities Trafigura nesta terça-feira.

A demanda por petróleo, carvão e gás natural, bem como metais como cobalto, níquel e cobre disparou com a reabertura da economia global após as restrições da Covid-19, provocando picos de preços que ameaçam a recuperação nascente.

Os preços europeus do gás atingiram níveis recordes este ano, levando alguns países a responder com medidas de emergência, como tetos de preços e subsídios, mas isso pode não ser suficiente, disse Jeremy Weir.

"Não temos gás suficiente no momento, para ser franco, não estamos armazenando para o inverno. Portanto, há uma preocupação real de que, se tivermos um inverno frio, poderemos ter apagões na Europa", afirmou Weir no FT Commodities Asia Summit.

O monopólio estatal russo de gás Gazprom, um grande exportador para a Europa, começou a reabastecer suas instalações de armazenamento europeias na semana passada, mas na segunda-feira reservou uma capacidade de gasoduto menor para dezembro.

Alguns parlamentares europeus acusaram Moscou de restringir o fornecimento para pressionar a Alemanha a acelerar a autorização do gasoduto Nord Stream 2. A Rússia negou.

O preço mais alto do gás natural impulsionou a demanda por petróleo, com o petróleo Brent de referência registrando alta de 60% desde o início do ano, sendo negociado a mais de 80 dólares o barril.

"Estamos vendo um mercado de petróleo muito, muito apertado", disse Weir.

A mudança climática tem colocado as empresas petrolíferas sob pressão para abandonar os combustíveis fósseis poluentes e a queda resultante no investimento em nova produção está aumentando a pressão sobre os preços.

"Acho que as pessoas precisam reconhecer que não é uma situação em que você simplesmente aperta o botão e aumenta a produção. Há muito investimento, leva algum tempo para fazer isso", afirmou Weir.

"Acho que temos um pequeno problema iminente sobre os preços do petróleo em uma base de longo prazo, acho que mais de 100 dólares no petróleo... (é) muito possível."

Os preços do primeiro mês são cerca de 1 dólar mais altos do que os do segundo mês, uma estrutura de mercado conhecida como backwardation que indica oferta imediata e restrita, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados continuam restringindo a produção.

(Reportagem de Koustav Samanta e Florence Tan em Cingapura, Mohi Narayan em Nova Délhi e Mai Nguyen em Hanói)

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