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Traders de títulos veem rali de bolsas como euforia equivocada

(Bloomberg) -- Por um breve momento na quarta-feira, tão breve que poderia ser perdido num piscar de olhos, a curva dos títulos do Tesouro dos EUA se inverteu para níveis vistos pela última vez quando Paul Volcker freou a economia para combater a inflação, no início da década de 1980.

Embora algo tão fugaz não permita uma análise muito profunda, o que ocorreu é um forte sinal do grau de convencimento do mercado de títulos de uma desaceleração econômica iminente, especialmente diante da valorização dos mercados acionários e da volatilidade em queda livre nas últimas semanas.

Desde o início de julho, o spread entre os rendimentos dos títulos de 2 e 10 anos, acompanhado de perto pelo mercado, caiu de cerca de 5 pontos-base para a mínima de 58 negativos na quarta-feira (antes de encerrar a sessão em cerca de -44), um forte contraste com o rali de mais de 11% do índice S&P 500. Além disso, acadêmicos, analistas e investidores próximos a agentes do mercado veem poucas chances de que a recente tendência dos Treasuries de curto prazo, que agora oferecem um prêmio sobre dívidas de longo prazo – um fenômeno visto como um prenúncio de desaquecimento econômico –, seja revertida em breve.

De fato, à medida que o Federal Reserve avança em seus esforços para apertar a política monetária, muitos esperam um aperto ainda maior e, com isso, uma piora do cenário econômico.

“A curva de juros invertida mostra que a atual trajetória da política do Fed acabará por colocar os EUA em recessão”, disse Gennadiy Goldberg, estrategista sênior de juros da TD Securities, segundo o qual o spread entre os rendimentos dos títulos de 2 e 10 anos está a caminho de atingir um extremo de 80 pontos-base negativos. “Quanto mais a inversão continuar, mais investidores e consumidores ficarão nervosos sobre uma recessão, e isso pode ter consequências quase autorrealizáveis.”

Mesmo o índice de preços ao consumidor em julho, mais suave do que o esperado, pouco alterou as expectativas de operadores de títulos, em parte porque autoridades do Fed foram rápidas em destacar que o resultado do CPI não mudou a visão sobre o caminho do banco central rumo a juros mais altos.

“Estou convencido de que o Fed vai levar adiante as políticas de aumento (dos juros) de que estão falando”, disse Greg Whiteley, gestor do DoubleLine Group. “Vejo taxas mais altas ao longo da curva, especialmente no ‘front-end’, com mais inversão”, disse, acrescentando que “o cenário para os retornos do mercado de títulos não é muito otimista agora. Também é difícil ser positivo em relação a ações – acho que veremos quedas de preços em ambas as classes de ativos.”

É claro que a inversão da curva entre os títulos de 2 e 10 anos ainda tem um longo caminho a percorrer para se igualar aos níveis vistos na era Volcker, quando o spread ultrapassou 240 pontos-base negativos. Essa diferença girava em torno de 40 pontos-base negativos na quinta-feira.

No entanto, observadores do mercado dizem que o spread não precisa atingir esses níveis para sinalizar uma desaceleração significativa da economia dos EUA. Além disso, não é apenas o trecho de 2 e 10 anos da curva que envia sinais de alerta.

O spread entre as taxas de 3 meses e os rendimentos dos títulos de 10 anos caiu de 234 pontos-base em maio para cerca de 19 pontos-base na quinta-feira - e chegou a ficar brevemente abaixo de zero em 2 de agosto.

Essa é a curva que importa para o economista Campbell Harvey – que relacionou a inclinação da curva de juros e o crescimento econômico em sua dissertação de 1986 na Universidade de Chicago.

“Mesmo que a curva esteja realmente plana, como está agora, isso não é boa notícia”, disse Harvey, professor da Escola de Negócios Fuqua, da Universidade Duke.

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