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Trabalhar por 2,13 dólares a hora nos Estados Unidos

·4 minuto de leitura
Garçonete limpa mesa em restaurante de Stillwater, no estado de Oklahoma (EUA), em 5 de maio de 2020 (AFP/Johannes EISELE)

"A escravidão sobrevive no século XXI", denuncia a sindicalista Saru Jayaraman, que luta para abolir a legislação federal que estabelece o pagamento de 2,13 dólares por hora para os trabalhadores de restaurantes, principalmente garçons, na maior potência mundial.

"É um problema de justiça econômica, racial e de gênero que piorou com a covid-19", afirma Jayaraman, uma das fundadoras da One Fair Wage ("Um Salário Justo", em tradução livre), uma organização que defende uma renda digna e segurança no trabalho para os funcionários do setor.

O segmento de serviços é um dos que mais crescem nos Estados Unidos, mas que paga os piores salários. Apenas o setor de restaurantes emprega 14 milhões de pessoas. Destas, seis milhões completam o salário com gorjetas.

"Muitas corporações de restaurantes consideram que são os clientes que devem pagar o salário de seus funcionários", lamenta a ativista à AFP.

- "Vergonhoso" -

Em restaurantes, táxis, salões de beleza e, agora, para os trabalhadores das empresas que funcionam por meio de aplicativos, no momento de pagar o cliente tem várias opções: adicionar 18%, 20%, 25%, ou até mais de gorjeta. É o que complementa o salário.

Embora, com frequência, os salários sejam determinados pelo mercado, em 40 estados a remuneração por hora ainda não supera 5 dólares, no caso dos trabalhadores autorizados a receber gorjetas. Apenas em sete eles foram equiparados ao salário mínimo de 15 dólares de renda mínima/hora dos demais trabalhadores.

O atentado contra as Torres Gêmeas que matou 74 funcionários do luxuoso restaurante Windows of the World, instalado no 107º andar de um dos edifícios do World Trade Center, representou um antes e depois para a luta por salário justo no setor.

Muitos sobreviventes foram realocados em outros restaurantes da empresa. Outros ficaram desempregados, e as famílias das vítimas, sem renda.

Naquele momento, foi criada a One Fair Wages.

"Começamos buscando ajuda para as famílias que perderam os entes queridos e os trabalhadores que perderam o emprego", conta Jayaraman.

Hoje, com 300.000 participantes, o movimento luta para que o Congresso promulgue una lei para aumentar o salário mínimo, em nível federal, para estes trabalhadores.

Em um encontro organizado recentemente por este movimento, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton questionou por que é tão difícil convencer cada estado e o Congresso de que "nenhuma pessoa na América deveria trabalhar por 2,13 dólares a hora".

"É vergonhoso!", disse.

- Nova York, uma exceção -

Nova York é um caso isolado, admite Jayaraman. Nos bons restaurantes, os garçons podem chegar a receber até seis dígitos por ano. Mas esta é a exceção.

Brian, um garçom de 29 anos que trabalha há uma década no setor, explica para a AFP que, na cidade, os funcionários do setor recebem 15 dólares por hora. Quem ganha gorjeta, recebe US$ 10 por hora.

Ele não revela quanto entra em sua conta bancária com as gorjetas, mas diz que ser garçom é o trabalho por hora mais bem pago da cidade.

"Você tem mais possibilidade de ganhar mais dinheiro do que em qualquer outro emprego", afirma.

Os donos do restaurante em que trabalha, localizado em uma área residencial ao leste do Central Park, também oferecem a seus funcionários a contratação de seguro médico.

Um luxo que não está ao alcance de todos. Javier, um mexicano que trabalha para uma rede de fast food na área da Grand Central Station, conta que pode ganhar até 2.300 dólares, mas com excesso de horas.

"Quando você supera as 40 horas horas semanais regulamentares, as horas extras são pagas a 22,5 dólares", diz ele, satisfeito, à AFP.

Um estudo recente da One Fair Wage mostra que quase um terço dos trabalhadores enfrenta mais violações de seus direitos do que no ano passado, e as gorjetas caíram. Ao mesmo tempo, aumentaram as agressões sexuais e os abusos, em um setor que emprega majoritariamente mulheres.

- "Não poderia fazer nada sem eles" -

Após o fechamento de restaurantes por causa da covid-19, muitos trabalhadores seguiram para outros empregos.

Os dados mais recentes do Departamento americano do Trabalho mostram que, até julho, o setor perdeu quase um milhão de postos, na comparação com os níveis anteriores à pandemia do coronavírus. Neste contexto, 75% dos empresários do setor enfrentam dificuldades para encontrar funcionários, o maior nível em duas décadas, segundo a Associação Nacional de Restaurantes.

Barbara Sibley, proprietária dos restaurantes de comida mexicana La Palapa, optou por pagar salários justos a seus trabalhadores.

"Os funcionários são parte do que fazemos. Não poderia fazer nada sem eles", diz ela à AFP.

Assim como a empresária, quase mil restaurantes de todo país aderiram a um novo modelo, mais ético, no qual os funcionários recebem salários e benefícios sociais.

"Quando se fala de um plano de negócios, é complexo, porque se deve levar em consideração outros custos e coisas. Mas se você planeja ter equidade faz com que o sistema que criou funcione. Então, realmente é uma escolha", garante Sibley.

"É o momento de, finalmente, acabar com este legado da escravidão. É uma vergonha para o país", conclui Saru Jayaraman.

af/rsr/fp/tt

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