Mercado abrirá em 8 h 53 min

Trabalhadores seduzidos por Trump estão decepcionados com promessas

Por Nova SAFO
1 / 2
Pessoas deixam a fábrica da Carrier, em Indianápolis, em 10 de janeiro de 2018

Pouco depois de sua eleição, Donald Trump iniciou em uma fábrica de Indiana sua triunfal "turnê da vitória". Mas sua promessa de salvar milhares de empregos tem um gosto amargo para Duane Oreskovic, que acaba de ser demitido.

Oreskovic, funcionário de uma linha de montagem do fabricante de aparelhos de ar condicionado Carrier em Indianápolis (Indiana, centro dos Estados Unidos), acreditava que Trump tinha conseguido evitar que a fábrica se mudasse para o México, graças a um novo incentivo fiscal.

"Quando o presidente Trump veio e prometeu salvar meu trabalho, acreditei nele. Eu e muitas outras pessoas", disse Oreskovic em uma reunião organizada por um grupo político progressista.

Ele e outros trabalhadores se reuniram em um restaurante em frente à fábrica da Carrier. A reunião foi organizada pelo movimento Good Jobs Nation, próximo ao senador Bernie Sanders, rival de Hillary Clinton na primária democrata de 2016.

"Me enganei. Todos nos enganamos", disse Oreskovic.

Ao longo do primeiro ano da presidência de Trump, houve mais de 500 demissões nesta fábrica, que o magnata escolheu como símbolo de sua vitória.

Apesar de cerca de 800 vagas na Carrier terem sido salvas graças a incentivos fiscais que representam 7 milhões de dólares, os funcionários esperavam mais.

"Neste momento, todo mundo está culpando Trump", em quem não voltarão a votar, disse Oreskovic à AFP.

Essa decepção transformou o homem que previu esse cenário em uma estrela política: Chuck Jones. Ele era presidente do sindicato de trabalhadores quando Trump anunciou o acordo de incentivos fiscais para a Carrier.

Jones, então, questionou quantas vagas seriam salvas de verdade, provocando a ira de Trump no Twitter.

"Donald Trump é um mentiroso e um idiota", afirmou Jones na reunião. "É pura e simplesmente um vigarista".

"Conversei com pessoas que tiveram que tirar os filhos da faculdade", acrescentou. "Em breve, eles serão expulsos de casa. Mais tarde, vão acabar com problemas de vício em drogas ou álcool".

- Dar uma oportunidade -

Os trabalhadores de vários estados pós-industriais conhecidos como "Rust Belt", ou cinturão da ferrugem, foram fundamentais para a vitória estreita de Trump. Há décadas, essa região do centro-oeste sofre com fechamentos de fábricas e demissões.

Mas uma pesquisa da universidade Ball State de novembro descobriu que 45% dos eleitores de Indiana, um estado republicano de onde vem o vice-presidente Mike Pence, desaprova a gestão de Trump em matéria de emprego. Apenas 41% a aprova.

"Foram feitas promessas que talvez não tenham sido cumpridas", disse à AFP Chad Kinsella, professor de Ciências Políticas na Universidade de Ball State. "Haverá repercussões políticas por isso".

Entretanto, à medida que se aproximam as eleições de metade de mandato de 2018, nada indica que os seguidores de Trump vão abandoná-lo em massa, disse o cientista político da Universidade da Virgínia, Larry Sabato.

"As pessoas podem ser pacientes. Não necessariamente acham que o candidato vai mundo o mundo da noite para o dia. E muitos deles culpam o Congresso", garante Sabato à AFP.

Robert James, presidente do sindicato de trabalhadores metalúrgicos de Indianapolis "United Steelworkers Local 1999", disse que muitos de seus integrantes continuam a apoiar o presidente.

"Algumas dessas pessoas te dirão: deem uma oportunidade a ele", comentou.

A excelente saúde da economia americana joga a favor do presidente, com 196 mil novos empregos no setor industrial em 2017. Muitos desses empregos são, contudo, altamente qualificados.

O presidente do partido republicano de Indiana, Kyle Hupfer, vê isso como argumento a favor do presidente.

Segundo ele, as razões pelas quais Indiana votou por Trump permanecem. "A convicção de que o país precisa ser reformado, a convicção de que os valores conservadores têm que prevalecer... Isso não mudou", disse.