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Trabalhadores abrem mão de benefícios para garantir reajuste salarial

*Arquivo* São Paulo, SP, 22.07.2019: Trabalhadores estão abrindo mão de benefícios para garantir reajuste salarial. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*Arquivo* São Paulo, SP, 22.07.2019: Trabalhadores estão abrindo mão de benefícios para garantir reajuste salarial. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os trabalhadores brasileiros estão abrindo mão de benefícios para garantir reajuste salarial que reponha ao menos a inflação nas negociações coletivas deste ano, segundo balanço dos seis primeiros meses de 2022 do Salariômetro, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Os dados mostram que complementos como a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), abonos por aposentadoria e assiduidade, plano de saúde, plano odontológico e auxílio-creche saíram de boa parte dos acordos ou convenções coletivas fechadas neste ano.

Além disso, não houve reajuste nos vales refeição e alimentação e os valores se mantiveram os mesmos entre 2021 e 2022. Apenas a cesta básica teve alta.

A retirada desses complementos seria a forma encontrada pelos trabalhadores de garantir reajustes melhores para os salários, que reponham a inflação ou estejam acima, na avaliação de Hélio Zylberstajn, professor sênior da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do Salariômetro.

"A presença dos adicioinais diminuiu em 2022. Houve uma redução generalizada não no valor, mas na presença [desses benefícios]", diz.

Segundo ele, com inflação e desemprego em alta, o poder de negociação dos trabalhadores está comprometido. "Como o poder de barganha dos trabalhadores não está forte, porque a inflação ainda é muito alta, não tem como pressionar. Para garantir a inflação, tem que abrir mão de alguma coisa", afirma o professor.

PROPORÇÃO DOS BENEFÍCIOS ANTE O TOTAL DE NEGOCIAÇÕES

Benefícios - 2021 - 2022

PLR (Participação nos Lucros e Resultados) - 25,04 - 20,05

Adicional de hora extra - 49,3 - 48,3

Abono por aposentadoria - 9 - 6,7

Abono assiduidade - 0,9 - 0,7

Abono por tempo de serviço - 8,1 - 1

Auxílio-creche - 19,9 - 18,2

Plano de saúde - 20,7 - 15,5

Plano odontológico - 11,7 - 6,9

Seguro de vida - 27,1 - 24,6

Nos primeiros seis meses de 2022, as negociações coletivas mostraram certa recuperação ante 2021 com uma média maior de reajustes iguais ou maiores que a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Os dados mostram que o reajuste mediano nos primeiros seis meses de 2022 é de 10,6% ante 6,2% do mesmo período de 2021. O piso salarial subiu, mas não supera a inflação do período. O valor médio é de R$ 1.431 quando, em 2021, foi de R$ 1.320, crescimento de 8,4%. O INPC é de 11,92% em 12 meses terminados em junho.

NEGOCIAÇÕES NOS ÚLTIMOS 12 MESES

Período - INPC, em % - Reajuste mediano, em %

Jul.21 - 9,2 - 7,4

Ago.21 - 9,9 - 9

Set.21 - 10,4 - 10,4

Out.21 - 10,8 - 10,8

Nov.21 - 11,1 - 11,1

Dez.21 - 11 - 11

Jan.22 - 10,2 - 10,2

Fev.22 - 10,6 - 10,5

Mar.22 - 10,8 - 10,8

Abr.22 - 11,7 - 11,7

Mai.22 - 12,5 - 12,5

Jun.22 - 11,9 - 11,9

O vale-alimentação mensal se manteve em R$ 280 e o vale-refeição seguiu em R$ 22 por dia. Somente a cesta básica teve alta, passando de R$ 170 para R$ 280, o que representa um reajuste de 22,35%.

O valor pago, no entanto, representa 16,62% da cesta básica de alimentos de junho deste ano, calculada em R$ 1.251,44, segundo pesquisa do Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Em julho, a prévia dos estudos preocupa. Do total de negociações até agora, 70,3% resultaram em reajustes menores do que a inflação, dado que só será confirmado no final do mês, com o fechamento dos dados.

Embora a inflação deva ter queda, é preciso esperar os números do desemprego no primeiro semestre, afirma Zylberstajn, para saber se o mercado de trabalho está em recuperação ou não.

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