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Três nomes da equipe econômica são cotados para substituir Waldery na Fazenda

FÁBIO PUPO
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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 06.11.2019: Secretário Especial da Fazenda, Waldery Rodrigues. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 06.11.2019: Secretário Especial da Fazenda, Waldery Rodrigues. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Economia analisa três nomes para o lugar de Waldery Rodrigues, secretário especial da Fazenda. Apesar disso, a substituição ainda deve levar certo tempo para ocorrer, já que ele é considerado um nome relevante para os trabalhos da pasta.

São eles Esteves Colnago e Jeferson Bittencourt, assessores especiais do ministro Paulo Guedes (Economia) e que já foram secretários especiais adjuntos da Fazenda. O terceiro é Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional. Todos eles são bem avaliados pelo ministro, conforme relatos.

A troca vai demorar mais tempo porque, primeiro, não se trata de uma substituição trivial.

Waldery é visto pelo próprio ministro como alguém importante tecnicamente, além de um servidor dedicado e leal --nas palavras de interlocutores-- e que não mereceria uma demissão no calor do momento, mesmo após suas declarações à imprensa.

A entrevista concedida pelo secretário, que causou o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao congelamento de aposentadorias e ao corte de benefícios para idosos e pessoas com deficiência, não seria motivo para uma demissão abrupta, conforme essa visão.

Por outro lado, já havia questionamentos sobre o desempenho de sua secretaria antes mesmo do episódio. E a visão é que as falas de Waldery fizeram a equipe econômica perder uma grande economia de recursos no Pacto Federativo, algo que estava a "um milímetro" de ocorrer.

Só o congelamento de benefícios e aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) renderia R$ 17 bilhões em 2021, segundo o próprio secretário havia comentado.

A saída imaginada para Waldery agora é a entrada dele em um organismo internacional. Está sendo pensada de forma embrionária a ida para o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

O mandato dura cinco anos e, para exercê-lo, Waldery moraria nos Estados Unidos. O movimento seria uma espécie de prêmio ao secretário após o trabalho prestado ao ministério.

Também está sendo pensada para a mesma instituição a ida de Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade.

A avaliação oficial é que seu trabalho cresceu durante a pandemia, após ele exercer o papel de interlocutor com o setor privado durante a crise e ajudando a elaborar medidas para que elas tivessem seus problemas mitigados. Mas isso ainda não está definido e ainda há chance de ele continuar no ministério.

Por causa do apoio do Brasil à presidência americana do BID, a pasta avalia que pode ter dois nomes na instituição.

Há pouco mais de uma semana, os EUA conseguiram eleger o americano Mauricio Claver-Carone para a presidência do BID. Com a escolha, Trump atropelou o Brasil --que originalmente queria respaldo dos EUA a seu candidato.

O resultado da eleição para o BID quebrou uma tradição de seis décadas em que um nome da América Latina comandava a instituição.

Atual assessor especial de Guedes, cuida principalmente do diálogo da pasta com o Congresso. Durante a pandemia, virou um dos principais interlocutores do ministro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enquanto os dois estavam afastados. Já foi secretário especial adjunto de Fazenda (sob Waldery).

No governo Temer, virou ministro do Planejamento após a saída do então chefe Romero Jucá (MDB-RR). É servidor de carreira (analista do Banco Central) e passou por diferentes funções na equipe econômica, inclusive no Tesouro. Mestre em economia pela UnB (Universidade de Brasília) e especialista em contabilidade pública.

Atual assessor especial de Guedes. Também já foi secretário especial adjunto de Fazenda (sob Waldery) e ocupou outros cargos no ministério, como diretor de programa. Tem passagens pelo governo do Rio Grande do Sul e pelo Tesouro Nacional, onde é servidor de carreira.

Atuou no setor privado como assessor econômico, consultor e professor universitário. Economista e mestre em ciências econômicas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Ocupa o cargo de secretário do Tesouro Nacional desde julho, substituindo Mansueto Almeida. Antes, era diretor de programa na Secretaria Especial da Fazenda e acompanhava sobretudo questões ligadas aos estados.

Foi secretário da Fazenda do Espírito Santo e um dos responsáveis pelo processo de ajuste das contas públicas. Doutor em economia pela FGV (Fundação Getulio Vargas), com pós-doutorado pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).