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Três mortos em novo massacre na Colômbia, o nono nos últimos 16 dias

Luis ROBAYO
·2 minutos de leitura
Familiares e amigos participam do funeral de Heine Collazos e Esneider Collazos, mortos por supostos membros de um grupo armado, em 25 de agosto de 2020, na Colômbia
Familiares e amigos participam do funeral de Heine Collazos e Esneider Collazos, mortos por supostos membros de um grupo armado, em 25 de agosto de 2020, na Colômbia

Três pessoas, incluindo um menor de 13 anos, foram mortos a tiros por um grupo encapuzado no noroeste da Colômbia, segundo a polícia, no nono massacre ocorrido no país desde 11 de agosto.  

O massacre ocorreu na noite de quinta-feira (27) no município de Andes, no departamento de Antioquia. 

Homens encapuzados e armados invadiram uma fazenda e "sem dizer nenhuma palavra dispararam" contra as vítimas, contou o coronel Éver Gómez, comandante da polícia de Antioquia, em áudio enviado à imprensa.  

Duas pessoas morreram no local e outra no hospital municipal. Entre os mortos "está um menor de 13 anos", acrescentou o oficial. 

As autoridades não revelaram pistas sobre a causa desse ataque. 

Desde 11 de agosto, ao menos 42 pessoas morreram em uma série de massacres ou assassinatos reunindo três ou mais pessoas em uma única ocasião. A maioria das vítimas é de jovens.

O governo atribui essas mortes aos grupos armados envolvidos com o narcotráfico. Trata-se de uma das piores ondas de violência desde a assinatura do acordo de paz que desarmou a guerrilha das Farc, em 2016. 

- Protestos -

A escalada de situações de violência teve início no dia 11 de agosto com o assassinato de cinco adolescentes negros com idades entre 13 e 16 anos. 

Seus corpos foram encontrados em um canavial na cidade de Cali (sudoeste). 

Nesta sexta-feira, o Ministério Público anunciou que dois dos supostos responsáveis pelo massacre foram detidos.  

"Os três adultos que trabalham como seguranças no entorno do canavial observaram os cinco menores se aproximarem" e "os assassinaram em total barbárie", segundo o procurador-geral, Francisco Barbosa.

Segundo o órgão investigador, os seguranças queriam "evitar a presença" dos jovens na lavoura, onde costumavam caçar ou comer cana.

Cerca de cinquenta pessoas protestaram em frente ao MP em Bogotá em repúdio ao massacre e à violência que atinge a comunidade negra em meio à pandemia. 

"Hoje viemos (...) exigir que investiguem os casos e queremos simplesmente justiça", declarou à AFP Ali Bantu, diretor do Coletivo de Justiça Racial, em meio à manifestação.

Embora o pacto histórico tenha atenuado a violência política, a Colômbia vive um conflito de quase seis décadas que envolve guerrilheiros paramilitares, traficantes de drogas e agentes do Estado, resultando em mais de nove milhões de vítimas.

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