Mercado fechado

Três mortos em ataque com faca em uma igreja da cidade francesa de Nice

Vincent-Xavier MORVAN con María Elena BUCHELI en París
·4 minuto de leitura
Policiais diante da igreja Notre-Dame de Nice após o ataque com faca
Policiais diante da igreja Notre-Dame de Nice após o ataque com faca

Três pessoas morreram, ao menos uma delas degolada, e várias ficaram feridas nesta quinta-feira em um ataque com uma faca em uma igreja no centro da cidade de Nice, na região sudeste da França, país que foi cenário da decapitação de um professor por um islamita há duas semanas.

Após o ataque, considerado "covarde" e "selvagem" pelo primeiro-ministro francês Jean Castex e condenado pelo Vaticano, o governo decidiu elevar o nível de segurança em todo o país para "urgência por atentado", que corresponde a um estado de vigilância máxima.

O agressor, com idade por volta de 30 anos, que afirmou se chamar "Brahim", invadiu às 9H00 locais (5H00 de Brasília), armado com uma faca, a basílica Notre-Dame da Assunção, no coração desta cidade da Riviera Francesa de pouco mais de 500.000 habitantes, que há quatro anos foi cenário de um atentado que deixou 86 vítimas fatais.

Ele gritou várias vezes "Allahu Akbar" (Deus é grande), de acordo com várias fontes próximas à investigação. O criminoso foi ferido por tiros durante a intervenção policial e levado para o hospital.

Duas vítimas são uma mulher e um homem que foram assassinados dentro da basílica. A mulher foi degolada dentro do templo pelo agressor, que tentou decapitar a vítima. O homem, de 45 anos, era o sacristão da basílica.

A terceira vítima, uma mulher gravemente ferida, conseguiu fugir para um bar próximo, mas não resistiu e faleceu pouco depois, informaram fontes policiais.

"Digam a meus filhos que eu os amo", conseguiu dizer pouco antes da morte, segundo depoimentos de testemunhas divulgados pelo canal BFMTV.

A unidade antiterrorista do Ministério Público francês abriu uma investigação após o ataque, que aconteceu menos de duas semanas depois do assassinato por decapitação do professor Samuel Paty em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena localidade de 35.000 habitantes a 50 quilômetros de Paris, por ter exibido charges do profeta Maomé durante uma aula.

O prefeito de Nice, Christian Estrosi, atribuiu o ataque ao "islamofascismo" e disse que a França deve "eliminá-lo. Já basta". 

Daniel Conilh, um garçom de um café próximo, contou à AFP como foram os minutos posteriores ao ataque. 

"Todos saíram correndo, ouvimos tiros. Uma senhora veio diretamente da igreja e disse 'corram, alguém atacou, vão acontecer tiros, há pessoas mortas'".

"Aconteceu uma onda de pânico, os clientes saíram sem pagar, ficaram com medo. Por volta de 9H10, vários carros, incluindo os dos bombeiros, isolaram a área e ouvimos muitos tiros", disse Conilh.

- 'Um ato inqualificável' -

Muitos policiais e socorristas foram enviados para as imediações da igreja. "A situação está sob controle", afirmou um agente. Toda a área foi isolada.

O presidente Emmanuel Macron anunciou que viajará a Nice durante a tarde.

A Conferência dos Bispos da França (CEF) de "inqualificável" o ataque, que aconteceu a poucos dias da festa católica de Todos os Santos e pediu a todas as igrejas que toquem os sinos às 15H00 em homenagem às vítimas. 

"Posso apenas condenar energicamente a covardia deste ato contra pessoas inocentes", disse Abdallah Zekri, delegado geral do Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM).

Os deputados franceses, que debatiam um novo confinamento nacional decidido na véspera e que entrará em vigor nesta quinta-feira à meia-noite, respeitaram um minuto de silêncio quando foram informados sobre o ataque.

O papa Francisco condenou "o terrorismo e a violência que nunca podem ser aceitos" e "reza pelas vítimas", aformou em um comunicado seu porta-voz, Matteo Bruni.

Nice foi cenário em 14 de julho de 2016 de um ataque que deixou 86 mortos, quando um homem avançou deliberadamente com um caminhão contra uma multidão que celebrava o Dia da Bastilha, a Festa Nacional francesa.

A União Europeia (UE) expressou solidariedade com a França e pediu a união "contra os que propagam o ódio". 

A França sofre com atentados terroristas de alto impacto desde 2015, quando um ataque extremista em 7 de janeiro contra o semanário satírico Charlie Hebdo deixou 12 mortos. No dia 13 de novembro do mesmo ano, um comando jihadista executou ataques coordenados em Paris que mataram 130 pessoas.

O julgamento pelo violento atentado contra o Charlie Hebdo, no qual morreram alguns dos chargistas mais famosos da França, está em curso atualmente em Paris.

Coincidindo com a abertura do julgamento, a revista voltou a publicar as caricaturas de Maomé que a transformaram em alvo dos jihadistas, o que provocou críticas no mundo muçulmano.

sm-meb/mar/fp/cc