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Três em cada quatro docentes já presenciaram discriminação no ensino fundamental, diz pesquisa

·3 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido da Associação Mulheres pela Paz --ONG voltada para a equidade de gênero-- apresenta que três em cada quatro docentes já presenciaram discriminação no ensino fundamental da rede pública.

Intitulado "Percepção de Docentes", o estudo, que foi realizado de 26 de julho a 18 de agosto deste ano, tem o objetivo de mostrar que a discriminação é um grande problema no cotidiano das escolas públicas.

A pesquisa contou com um total de 285 entrevistas telefônicas ou por videochamada com professores da rede pública paulista, que dão aula em séries do Ensino Fundamental 1 e 2, no Estado de São Paulo, a partir da lista de contatos da parceria com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). O tempo de aplicação do questionário foi de cerca de vinte minutos.

Ao todo, 15 cidades do estado de São Paulo participaram da apuração: Andradina, Catanduva, Campinas, Diadema, Francisco Morato, Guarulhos, Marília, Mauá, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo, São Paulo, Sorocaba e Suzano.

Entre os principais pontos, estão que 74% dos docentes já presenciaram atos ou falas discriminatórias contra alunos e alunas, e que 53% já presenciariam casos de evasão escolar de estudantes após serem vítimas de discriminação.

"Entendemos que a escola é uma das principais redes de relações na vida das pessoas e tem uma importância fundamental, principalmente na primeira infância", diz Vera Vieira, coordenadora da pesquisa e diretora executiva da associação.

"Chegamos a conclusão que precisaríamos de uma pesquisa para verificar qual é a percepção de docentes sobre a prática do ensino porque inconscientemente acaba-se reproduzindo essas discriminações no ensino e entre as pessoas do ambiente escolar", destaca.

É fundamental se investir em políticas públicas que foquem na formação de docentes, seja diretamente relacionado ao tema que suscita essas discriminações, como na atualização das disciplinas, que podem ser ensinadas com esse olhar para as diferenças", afirma a coordenadora da pesquisa.

lém disso, 25% dos docentes dizem que sempre presenciam casos de racismo em suas escolas, 23% são testemunhas frequentes de gordofobia, e 19% presenciam sempre a homofobia.

"A escola tem o dever de mostrar ao cidadão que práticas discriminatórias podem afetar o rumo de muitos alunos, principalmente, dos mais novos", diz Valéria Martins, professora do Centro de Comunicação e Letrasda Universidade Presbiteriana Mackenzie.

"O processo educativo deve estimular, fazer o discente desejar ir além do que já sabe, ir além do que já tem. Além disso, trabalhar a autoestima de nossos estudantes pode ser uma das questões centrais para que o aluno adquira autonomia e confiança em si mesmo. Atos discriminatórios fazem exatamente o contrário", destaca a especialista.

Antes da fase quantitativa, a pesquisa também realizou uma fase qualitativa para avaliar as perguntas que seriam aplicadas e com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o assunto. No total, 11 profissionais que atuam na área da educação foram entrevistados por videoconferência, com média de 90 minutos de duração, entre 24 de maio e 9 de junho de 2021.

Ainda segundo a pesquisa, metade dos docentes entrevistados já foram vítimas de algum tipo de discriminação. Entre professores pretos e pardos, esse índice é de 60%, e entre brancos, de 43%.

A publicação, contendo os resultados da pesquisa e textos de apoio ao assunto, será lançada em um seminário virtual de formação no próximo sábado (30), das 9h às 12h, de maneira gratuita e com inscrições online.

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