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Três autores de estudo sobre hidroxicloroquina se retratam (revista Lancet)

(ARQUIVO) Foto de arquivo tirada em 20 de maio de 2020 na Rock Canyon Pharmacy em Provo, Utah

Três dos quatro autores do estudo publicado na revista The Lancet sobre o uso de hidroxicloroquina contra o coronavírus pediram a retirada do artigo, informou a própria revista britânica na quinta-feira.

"Não podemos continuar garantindo a veracidade das fontes de dados primárias", disseram os três autores à The Lancet, acusando o quarto autor, dono da empresa que coletou esses indicadores e que agora se recusa a dar acesso direto a eles.

Publicado em 22 de maio no The Lancet, o estudo concluiu que a hidroxicloroquina não beneficia pacientes com COVID-19 hospitalizados e pode até ser prejudicial a eles.

Sua divulgação teve um efeito mundial e repercussões espetaculares, forçando especialmente a Organização Mundial de Saúde a suspender os ensaios clínicos de hidroxicloroquina contra a COVID-19.

Mas, finalmente, depois de muitas críticas questionarem a metodologia do estudo, incluindo cientistas céticos sobre a hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19, a OMS anunciou na quarta-feira a retomada dos testes com a droga.

Os críticos questionaram os dados em que o estudo se baseou (96.000 pacientes internados entre dezembro e abril em 671 hospitais) compilados pela sociedade americana Surgisphere, dirigida pelo quarto autor, Sapan Desai.

"Iniciamos uma análise independente da Surgisphere com o consentimento de Sapan Desai para avaliar a origem dos elementos do banco de dados, confirmar que estava completo e replicar as análises apresentadas no artigo", escrevem os outros três autores do texto publicado na The Lancet.

Mas, a Surgisphere negou o acesso a dados devido a acordos de confidencialidade com clientes (os hospitais onde os dados foram obtidos), os especialistas enviados "não puderam realizar uma revisão independente (e) informaram a retirada dos processos de avaliação por colegas ", acrescentam.