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Três altas dos juros e escoamento do balanço são necessários para conter inflação, diz Bostic, do Fed

·3 min de leitura
Presidente do Fed de Atlanta, Rafael Bostic

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - A inflação alta e uma forte recuperação exigirão que o Federal Reserve eleve a taxa de juros pelo menos três vezes este ano, a partir de março, e garanta uma rápida redução dos ativos do banco central norte-americano para retirar o excesso de caixa do sistema financeiro, disse o presidente do Fed de Atlanta, Rafael Bostic.

"Há um risco de que a inflação seja elevada por um longo período de tempo e precisamos responder de forma direta, clara e agressiva", afirmou Bostic à Reuters em entrevista na segunda-feira. "Se as coisas continuarem do jeito que estão, março seria uma possibilidade razoável", para o primeiro de uma série de aumentos nos juros para compensar a inflação, que está muito acima da meta de 2% do banco central.

Ele disse não sentir que a disparada de novas infecções por coronavírus inviabilizará a recuperação, mas, ao contrário, sente ser mais provável que a inflação se intensifique ainda mais e exija uma quarta elevação da taxa de juros em 0,25 ponto em 2022, em vez desacelerar e permitir que o Fed relaxe.

Suas observações refletiram a virada do banco central para o combate à inflação, uma mudança cimentada na reunião de dezembro, na qual as autoridades aceleraram os planos de aumentar a taxa de juros e começaram a reduzir suas participações em Treasuries e títulos lastreados em hipotecas acumulados durante a pandemia.

Bostic, em comentários detalhados sobre a gestão do balanço do Fed, disse que o banco central também deve ser agressivo em relação à redução - permitindo que suas participações caiam em pelo menos 100 bilhões de dólares por mês e com planos de retirar rapidamente pelo menos 1,5 trilhão de dólares de mercados financeiros que ele considera puro "excesso de liquidez".

De 2017 a 2019, quando o Fed estava encolhendo seu balanço anos após o final da recessão de 2007 a 2009, ele reduziu lentamente o ritmo de redução, limitou-o a 50 bilhões de dólares por mês e, finalmente, diminuiu seu saldo em apenas 600 bilhões de dólares antes que os mercados financeiros sinalizassem que o sistema não tinha reservas de caixa suficientes à mão.

O processo promete ser muito diferente desta vez e Bostic, por exemplo, disse sentir que não havia necessidade de iniciar um escoamento do balanço gradualmente, porque os mercados sabem o que esperar.

"Eu esperaria que agíssemos rapidamente e saíssemos dessa posição de emergência", afirmou Bostic. "A ferramenta é muito bem compreendida e a motivação é muito bem compreendida."

"Deve ser mais rápido, com certeza", disse Bostic, e em um ritmo acelerado o suficiente para concluir o processo em "alguns anos".

O debate sobre como tratar os ativos do Fed começou na íntegra durante a reunião do banco central em dezembro, com apresentações da equipe sobre o assunto e uma discussão inicial entre os formuladores de política monetária.

O Fed comprou mais de 4 trilhões de dólares em Treasuries e títulos lastreados em hipotecas desde o começo da pandemia no início de 2020, mais que dobrando o tamanho geral de seu balanço patrimonial de 4,1 trilhões de dólares para mais de 8,7 trilhões de dólares.

Inicialmente uma maneira de manter os mercados financeiros estáveis, agora acredita-se que os ativos na carteira do banco central pressionem para baixo as taxas de juros de longo prazo que o Fed pode querer aumentar para conter a demanda - e os preços - de uma variedade de bens.

Bostic, que não tem voto sobre a política monetária este ano, foi uma das primeiras autoridades do Fed a esperar que o ritmo da recuperação fosse mais forte do que o previsto e, há um ano, com a desaceleração da economia, era um dos poucos que esperavam juros mais altos em 2022.

Sua preocupação agora é que alguns dos fatores que impulsionam a inflação possam estar aqui para ficar.

Em particular, Bostic disse levar a sério os comentários que recebe de líderes empresariais locais de que estão planejando cadeias de suprimentos mais resilientes que, quase por definição, serão mais caras de manter e que eles sentem que, atualmente, têm poder de precificação no mercado e planejam usá-lo.

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