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Boca de fumo em estação de trem em Parada de Lucas funcionava há duas semanas

Carolina Heringer
·4 minuto de leitura

Traficantes instalaram uma boca de fumo na estação de trem de Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio. Uma banca de venda de entorpecentes foi montada no local no fim do mês passado na plataforma de embarque de passageiros. Uma foto obtida pelo EXTRA, que circula em redes sociais, mostra a banca de comercialização de drogas na estação. A 38ª DP (Irajá) abriu um inquérito para apurar a expansão dos traficantes para o local. No início da manhã dessa quinta-feira, dia 4, uma operação foi realizada na região e deixou uma moradora morta.

As Polícias Civil e Militar foram informadas ao menos duas vezes pela SuperVia, concessionária que administra o transporte ferroviário no Rio, sobre a situação de venda de drogas na estação. De acordo com uma das petições da concessionária, a banca de venda de drogas começou a ser montada na estação no dia 19 de fevereiro.

O EXTRA teve acesso às petições encaminhados à Polícia Civil. Segundo consta no documento, os criminosos fizeram um corte na grade que dá acesso à comunidade, instalaram uma bancada de mármore e cobriram com uma lona. Os bandidos ainda instalaram uma placa de lâmpadas de LED na qual estava escrito “aberto”, para indicar que a boca de fumo estava em funcionamento. O documento aponta ainda a presença de criminosos armados no local.

Venda de drogas determinada por Peixão

Segundo fontes ouvidas pelo EXTRA, a venda de drogas instalada na estação foi uma determinação do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do tráfico na comunidade de Parada de Lucas. O criminoso inicialmente colocou comparsas na estação para vigiar a possível chegada de comparsas rivais, oriundos principalmente do Complexo da Penha. Ao perceber a movimentação de usuários dentro da estação, ele decidiu passar a vender drogas.

A montagem da boca de fumo na estação também tem o intuito de evitar que informantes da facção entrem na favela sob o pretexto de comprarem drogas. Investigações da Polícia Civil apontam que Peixão tem uma desavença com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do tráfico no Complexo da Penha. No fim do ano passado, traficantes das quadrilhas dos criminosos se enfrentaram em ataques ocorridos na Penha e na comunidade da Cidade Alta, também dominada por Peixão.

Peixão teme que o rival, com o apoio de comparsas, tente retomar a Cidade Alta, que já foi dominada pela maior facção criminosa do Rio, da qual Doca faz parte.

Na última terça-feira, durante a produção desta reportagem, o EXTRA procurou a Polícia Civil, que informou estar investigando a montagem da boca de fumo na estação e os responsáveis por comercializar drogas no local. Já a Polícia Militar informou apenas que o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) atua em toda a malha ferroviária do estado

“As ações ostensivas dos batalhões e do GPFer seguem protocolos técnicos, tendo como preocupação central a preservação de vidas, e as determinações estabelecidas pela legislação e pelas decisões judiciais vigentes. Cabe mencionar que a linha férrea também apresenta trechos inseridos em áreas consideradas conflagradas. Nestes locais, um planejamento conjunto com batalhões de área e unidades do Comando de Operações Especiais (COE) se faz necessário para que a repressão aos criminosos ocorra de forma mais robusta e com o aparato adequado para o cenário apresentado”, informou a nota.

Já a SuperVia, questionada pelo EXTRA, informou que a situação foi noticiada pela concessionária para as polícias Civil e Militar. "A empresa lembra que a segurança pública dentro do sistema ferroviário é uma atribuição do Governo do Estado, que atua por meio de seu policiamento ostensivo e investigativo. Os agentes de controle da concessionária não têm poder de polícia", informa o comunicado.

A concessionária acrescentou ainda que "conta com a atuação do poder público para garantir a segurança dos seus clientes e colaboradores e manter a operação dos trens, especialmente nas diversas áreas conflagradas pela violência ao longo da malha ferroviária, e entende que tais fatos devem ser tratados com atenção e urgência, de modo a não prejudicar a rotina do transporte e a integridade dos colaboradores e milhares de passageiros dos trens do Rio".

A SuperVia acrescentou, ainda, que em 2020 foram registrados 36 casos de tiroteios nas proximidades da linha férrea, que afetaram a circulação dos trens por 40 horas e 24 minutos. Em 2021, já foram 4 casos, totalizando 5 horas e 33 minutos de interrupções na operação.