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Tráfego em sites de pirataria volta a cair com fim da quarentena

Felipe Demartini

O início do período de quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus levou a um crescimento recorde no número de acessos a sites de pirataria, com as pessoas em lockdown buscando entretenimento como forma de passar o tempo. Ao contrário do que se esperava, entretanto, o processo de retomada das atividades não apenas causou uma redução nesses números, mas levou o tráfego do segmento a uma baixa histórica de cerca de 25%, com totais menores que os registrados no início deste ano, antes do isolamento social.

Os números são da MUSO, empresa de análise de mercado que registra o fluxo de visitantes em serviços de downloads irregulares. De acordo com a estimativa, as páginas que disponibilizam conteúdo pirata recebem, hoje, pouco menos de 350 milhões de acessos em todo o mundo, uma queda que começou a ser sentida já em meados de abril.

O total é menor que o registrado em fevereiro de 2020, quando os sites do segmento registravam cerca de 450 milhões de acessos. A tendência, de acordo com os analistas, é que a queda seja ainda maior ao longo das próximas semanas, na medida em que mais e mais países iniciam seus processos de reabertura e retomam as atividades com o fim do lockdown.

A baixa também foi sentida de forma diferente de acordo com o tipo de conteúdo disponibilizado por tais páginas. Serviços que disponibilizam filmes piratas, por exemplo, tiveram queda maior do que as plataformas musicais, saindo de cerca de 64 milhões de acessos no começo de fevereiro para aproximadamente 43 milhões no final de maio. Aqui, novamente, a queda começou a ser sentida em meados de abril e teve redução vertiginosa a partir do começo de maio.

Gráfico da MUSO mostra crescimento e queda no tráfego global em sites de pirataria durante o período de quarentena do novo coronavírus (Imagem: Reprodução/MUSO)

Sites de música foram menos atingidos, mas ainda assim vêm sentindo uma queda gradual que começou a ser vista ainda em março. A média, hoje, é de cerca de 36 milhões de acessos a páginas desse tipo, contra aproximadamente 55 milhões no começo de fevereiro. Aqui, provavelmente, temos um reflexo da suspensão dos trabalhos em muitos setores, com os colaboradores dependendo menos de suas playlists no dia a dia e buscando outras formas de entretenimento durante a interrupção das atividades.

Os analistas da MUSO indicam que as tendências no mundo da pirataria mudam bastante e que essa baixa não deve indicar um esfriamento das atividades irregulares. Além disso, novas ondas de infecção podem gerar novas quarentenas, enquanto países ainda em situação de cautela quanto ao novo coronavírus podem adotar medidas de restrição ainda maiores, levando a uma busca por conteúdo online que pode chegar a compensar o movimento de baixa visto nas regiões onde já houve reabertura.

Ainda assim, os números chamam atenção em uma era de extremos, na qual o tráfego em sites de conteúdo irregular teve um pico de 50% no início da pandemia e agora apresenta a maior baixa em utilização das últimas duas décadas. Um efeito que deve ser sentido diretamente nas receitas de publicidade que mantêm a operação de muitas páginas desse tipo.

Fonte: Canaltech