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Total anuncia fim de pagamentos ligados a um gasoduto ao Exército birmanês

·2 minuto de leitura
O projeto de GNL de Moçambique, liderado pela Total dentro de um consórcio, representa um investimento de 24 bilhões de dólares

O grupo petrolífero francês Total anunciou, nesta quarta-feira (26), que não vai distribuir dividendos aos acionistas da empresa que administra um gasoduto em Mianmar, entre os quais está uma empresa controlada pelo Exército, que deu um golpe no país.

"Dado o contexto instável em Mianmar, e por proposta conjunta da Total e da Chevron - outro grande acionista - (...) a distribuição de dividendos foi suspensa", explica o comunicado da Total.

Esta decisão foi adotada pela assembleia geral da MGTC (Moattama Gas Transportation Company Limited), empresa gestora do gasoduto.

Os acionistas incluem a Myanmar Oil and Gas Enterprise (MOGE), controlada pelos militares birmaneses.

Os demais acionistas são a Total (31,24%), a americana Chevron (28,26%) e a tailandesa PTTEP (25,5%).

A Total está presente em Mianmar desde 1992 e várias ONGs pediram ao grupo que "pare de financiar a junta".

Segundo o jornal francês Le Monde, a configuração financeira em torno do gasoduto teria permitido durante anos desviar centenas de milhões de dólares da venda de gás diretamente para os militares do país.

Por sua vez, a Total havia refutado a existência de esquema fraudulento, considerando algo "clássico" e endossado pelas autoridades anteriores.

Em seu relatório anual, o grupo afirma ter pago 37 milhões de dólares (pouco mais de 30 milhões de euros) em impostos e tarifas naquele país em 2020. A isso se somam as entregas de gás na forma de "direitos de produção" no valor de 138 milhão.

O MGTC transporta o gás do campo localizado no Mar de Yadana, que a Total continua operando.

“A Total continua operando o campo de Yadana de forma responsável, mantendo a produção de gás dentro do marco da legislação vigente, para não interromper o fornecimento de energia elétrica, essencial para os habitantes de Mianmar e da Tailândia”, explica o grupo.

Acrescentando que “condena a violência e as violações dos direitos humanos” e “reafirma que respeitará qualquer decisão adotada pelos organismos internacionais ou nacionais competentes, incluindo possíveis sanções aplicáveis pelas autoridades europeias e norteamericanas”.

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