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Café recorre ao blockchain para rastrear grãos

Isis Almeida
Coffee Beans and Tea in Rustic Spoons over Dark Stone Background

Millennials preocupados com a sustentabilidade estão cada vez mais exigentes e querem saber de onde vem o café que tomam pela manhã. Com isso, algumas das maiores torrefadoras estão recorrendo à tecnologia para conseguir a resposta.

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Torrefadoras como JM Smucker e Jacob Douwe Egberts decidiram se unir em uma iniciativa de blockchain da Farmer Connect, uma startup financiada pela trading de café suíça Sucafina. Desenvolvida em parceria com a IBM, a tecnologia ajudará empresas a rastrearem a origem dos grãos que compram e vendem, bem como seus preços ao longo da cadeia de suprimentos.

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O sistema de contabilidade digital, que geralmente rastreia transações, também será usado para fornecer informações detalhadas aos clientes sobre onde o café foi cultivado, moído, exportado, importado e torrado por meio de um aplicativo voltado ao consumidor chamado Thank My Farmer. A clientela ética também poderá apoiar diretamente projetos de sustentabilidade e, a partir do próximo ano, efetuar pagamentos diretos aos agricultores.

“Nossa participação na iniciativa blockchain da Farmer Connect demonstra nosso compromisso em fornecer aos consumidores a transparência que desejam, além de criar maneiras de apoiar pequenos cafeicultores”, disse Joe Stanziano, vice-presidente sênior e gerente-geral da Smucker, dona de marcas de café como Folgers, Café Bustelo e 1850.

A plataforma, agora disponível para membros, poderá ser acessada pelo resto do mercado em 2020, disse Dave Behrends, fundador e presidente da Farmer Connect e sócio da Sucafina. A startup planeja captar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões no fim deste ano ou início de 2020, fazendo com que a iniciativa envolva todo o setor, disse.

Transparência de preços

A Farmer Connect não é proprietária dos dados fornecidos pelas empresas; portanto, quando se trata de preço, um tópico delicado para muitas companhias, será decisão dos usuários conceder permissão para que o valor das compras e vendas possa ser consultado. Behrends espera que 90% dos usuários divulguem de onde vem o café, mas apenas 10% adotem a transparência de preços no início.

Tradings de café enfrentam baixas margens e condições de pagamento cada vez mais longas no setor de torrefação, que está em constante consolidação, o que significa que algumas tradings podem optar por não divulgar suas informações de preços. Embora algumas torrefadoras exijam uma prova de que as tradings pagaram um preço justo aos cafeicultores, os grupos que fazem isso com sucesso são os que permitem margens na cadeia de suprimentos, disse Behrends.

“Acho que as tradings não têm problema em compartilhar dados que garantam que os agricultores receberam um preço justo”, disse. “O medo que é que as torrefadoras usem isso para pressioná-los e reduzir completamente sua margem a zero.”

A Farmer Connect, também financiada pela Federação Colombiana de Produtores de Café e Itochu, entre outros, avaliar expandir a plataforma futuramente para outras commodities, como cacau e chá.