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Torça por mim: 'O Brasil é um dos maiores desafios da minha vida', escreve Pia Sundhage

·6 minuto de leitura

Eu comecei a competir muito cedo, e em alto nível, e amo as disputas em um campo de futebol. Aos 15 anos, fiz meu primeiro jogo pela seleção sueca. Estava num lugar em que todos queriam dar o melhor. Para poder fazer isso, eu precisava me desligar e me divertir de um jeito diferente. Meu irmão mais velho me ensinou a tocar violão e tudo começou com Bob Dylan, Beatles, Simon e Garfunkel. E essa foi uma ótima maneira de relaxar.

Então, se eu toco violão, estou num lugar em que não sou a melhor, nem preciso ser. Se outra pessoa tocar comigo, não é para competir. E o som fica melhor. Se uma terceira entrar para cantar, a música ficará ainda melhor. Ali, é sobre emoções, sobre relaxar e fugir da pressão. Quando vim para o Brasil, eu procurei a música e as batidas brasileiras. Acho muito legal, mas é difícil. Eu venho do rock and roll. Mas para mim é uma ótima maneira de conhecer o país e as pessoas com quem trabalho.

Mas também uso muito a música para aprender português. Me lembro melhor das palavras quando canto, por exemplo. Em muitos aspectos, a música é muito importante para mim. É difícil pronunciar as palavras em português e a música é um jeito de eu tentar melhorar.

A primeira coisa que eu aprendi sobre o Brasil foi que todo mundo ama e joga futebol. E o jogador brasileiro em ação foi a primeira coisa que veio diretamente à minha cabeça. No caso, o Pelé, especialmente por causa da Copa de 1958, da final jogada na Suécia. Eu não era nascida, mas todo mundo falava disso. Todos comentam de dois jogadores, na verdade: Pelé e Garrincha. Eu sou muito ligada ao futebol, sou técnica de futebol.

Acho que a minha primeira impressão do Brasil foi de um país caloroso, com um povo caloroso. As pessoas estão sempre ao redor, aproveitam o tempo para bater papo, dar um “oi”, se despedem três vezes.

Após dois anos, posso dizer que eu gosto de viver aqui, gosto do futebol e do desafio que é comandar a seleção brasileira. Eu diria que é um dos maiores desafios que já tive na vida. A razão disso é a cultura. Eu vivi a cultura da Suécia e a daqui. São muito diferentes. E para ter sucesso, para a seleção ter sucesso, é importante que eu conheça a cultura, porque tudo se trata de comunicação, nós precisamos nos entender. Eu acho que isso é muito interessante, por isso eu tentei abraçar a cultura, mesmo sendo muito diferente da de onde venho. É muito desafiador e divertido. Porque, no final de contas, o jeito de o brasileiro jogar é o que gosto e é diferente de qualquer outra coisa.

Algo que aprendi com as jogadoras é que aqui se dedica muito tempo para as coisas. Trouxe um pouco de equilíbrio para mim, pois venho de uma educação de muita organização. Aqui, para aproveitar ao máximo o futebol, é necessário uma mistura para ter um equilíbrio. Acho que as brasileiras me ensinaram a ter paciência e a não me estressar se não acontecer hoje ou amanhã. No fim, é algo entre o muito organizado e o espontâneo. Acho que é assim dentro e fora do campo.

Eu diria que a grande diferença entre a cultura sueca e a brasileira é que se você planejou algumas coisas, leva-se um tempo antes que aconteça. O interessante nisso é que o caminho para um objetivo traçado pode ser mudado nesse tempo. Isso, na verdade, é ser criativo. Então, eu tenho aprendido a buscar essa criatividade.

Troca de culturas

O que eu posso trazer da minha cultura é justamente a organização, que tem de ser consistente. Se estamos trabalhando em alguma coisa, temos que tentar algo diferente logo no início por causa de alguma dificuldade? Não, não. Temos que passar por isso. No campo, se todos os brasileiros fazem maluquices, é ótimo. Gostaria que fizessem isso por 90 minutos. Mas, para isso, duas coisas são necessárias: persistência para acreditar no que está fazendo e condicionamento físico. É esse tipo de persistência para poder continuar e não tentar fazer de outra maneira. É algo que acho que nasceu comigo.

Me encanta o lado emotivo do brasileiro. Mas isso também pode ser um desafio em campo muitas vezes. Porque tem de saber controlar as emoções. Se você está bem, é ótimo. Se você está mal, pode se desapontar, e é preciso saber lidar com isso.

Eu e o nosso estafe temos trabalhado muito duro para encontrar o melhor da seleção. Viajamos, assistimos a muitos treinos, adoramos ir aos jogos. Mas para conseguir fazer isso, eu preciso me desligar um pouco. E a forma que encontrei para sobreviver a esse ritmo tem sido ir à praia quase todas as manhãs, algo que nunca tive. Sou uma sortuda por isso. Já morei em Los Angeles, mas não sei explicar, no Rio é diferente. Agora eu estou morando num apartamento fixo na Barra da Tijuca, a 20 minutos da CBF, e na praia. Esse é o meu momento de relaxamento, pois minha família e meus amigos estão todos na Suécia. É importante eu dar uma parada no trabalho e me desligar para poder aproveitar a praia. Isso é muito diferente da Suécia. Então aproveito, faço meus exercícios, ligo de novo e vou trabalhar. Ser capaz de relaxar e trabalhar duro tem sido a chave para mim. Eu tenho um trabalho incrível, sou saudável e tento tirar o máximo do dia.

Comunicação com o time

Eu não sabia uma palavra quando cheguei, agora posso falar uma frase. Mas o mais importante é a minha linguagem corporal. Nos treinos, por exemplo, há algumas palavras em sueco que elas estão tentando aprender para dar retorno. Fazemos de tudo um pouco, pois a comunicação é importante. Com sorte, vamos ver aqui nas Olimpíadas o quanto realmente nos entendemos, porque precisamos ser uma equipe coesa e estar na mesma página. Mas elas entendem e temos uma boa comunicação.

Temos que lidar com as expectativas que as pessoas têm sobre a seleção brasileira e o que pensam dela. Temos que definir uma direção, metas e expectativas. O que estamos esperando? O que desejamos? Mas a pressão externa é o que torna o futebol mundial tão legal. Se tiver sucesso, vão dizer que você é bom. Se não tiver sucesso, você será ruim. Temos apenas que lidar com isso, e é importante não se empolgar.

Toda a energia vem da própria equipe, e estabelecemos metas. Todos nós acreditamos que podemos chegar às quartas de final. Se avançarmos de fase, qual é o próximo passo? Realmente isso é o que faremos. Reunião de definição de metas para que todos estejam no mesmo barco. E quando chegarmos às quartas, todos saberão o que vai acontecer. Todos sentirão a mesma coisa porque já falamos sobre isso. E nós estamos ansiosos por este momento. Então, é meu trabalho lidar com a pressão externa. Quanto mais estou no futebol, mais bem preparada estou para lidar com isso. A vida é assim e é um prazer treinar sob pressão, caso contrário, estaria em outro lugar. Eu escolhi estar aqui, então tenho que aceitar a pressão.

O que tenho a dizer à torcida é: se vocês amam futebol, verão tantas coisas boas em campo e vão se orgulhar das mulheres que representam o Brasil. Independentemente do que aconteça, verão jogadoras que tentaram fazer o melhor juntas. Acho que esse é um grande motivo para assistir à Olimpíada.

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