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Presidente da Nigéria mostra intransigência ante manifestação popular

Sophie BOUILLON
·4 minuto de leitura
Manifestantes nigerianos fazem barricada em Lagos

Presidente da Nigéria mostra intransigência ante manifestação popular

Manifestantes nigerianos fazem barricada em Lagos

Os nigerianos receberam nesta quinta-feira como um balde de água fria a intransigência mostrada pelo presidente Muhammadu Buhari, ex-militar golpista, ante a manifestação popular que abala o país, principalmente o sul e sua gigantesca capital econômica, Lagos.

O chefe de Estado fez um pronunciamento na TV 48 depois de uma repressão violenta das forças de segurança a milhares de manifestantes pacíficos, que deixou 38 mortos no país, 12 deles em Lagos, segundo a Anistia Internacional. A "terça-feira sangrenta", como a chamaram os nigerianos, foi seguida por dois dias de distúrbios e saques.

Em seu discurso, o presidente advertiu os manifestantes que não autorizará "ninguém, nem nenhum grupo, a colocar em risco a paz e a segurança nacionais". Resistam à tentação de serem usados por elementos subversivos para gerar o caos e matar nossa jovem democracia", pediu Buhari, general golpista nos anos 1980 e eleito democraticamente em 2015.

Após o discurso do presidente, celebridades nigerianas, que apoiam os manifestantes, não esconderam sua decepção. "Alguém se deu conta de que o presidente não pode sequer reconhecer as vidas perdidas e os feridos deixados pelo gatilho fácil da polícia?", tuitou a atriz Kemi Akindoju. "Em vez disso, lembrou os bravos policiais que perderam a vida. Nada sobre os tiroteios."

"Nenhuma empatia, nenhuma capacidade de unir o povo, sequer de mostrar que entende o que acontece. Não ofereceu nada", lamentou no Twitter Feyikemi Abudu, um dos nomes dos protestos.

O movimento começou no início do mês, para denunciar a violência policial, em particular de uma unidade acusada de extorquir a população, realizar prisões ilegais, torturar e assassinar. No último dia 12, o presidente anunciou o fim dessa brigada e prometeu uma reforma policial.

- 'Sinais de fraqueza' -

Em seu pronunciamento de hoje, Buhari não fez nenhum comentário sobre o massacre e lamentou ter "mostrado sinais de fraqueza ao aceitar cinco pedidos feitos pelos manifestantes" para uma reforma na polícia. O discurso do presidente era muito aguardado pelos 200 milhões de nigerianos, que esperavam que Buhari apontasse os responsáveis pela repressão.

O movimento acabou se transformando em uma grande manifestação contra o poder. Em duas semanas, 56 pessoas morreram nos protestos, segundo a Anistia Internacional. 

Estados Unidos, União Africana, União Europeia e ONU condenaram a violência e pediram que os responsáveis respondam na Justiça. Em seu pronunciamento, o presidente lhes agradeceu, mas os convidou a "aguardar todos os elementos antes de julgar".

Lagos, capital econômica da Nigéria, continuou hoje submetida a um toque de recolher, com ruas desertas e lojas fechadas, dois dias depois de uma jornada de morte e violência após a repressão sangrenta às manifestações pacíficas.

Ao menos 38 pessoas morreram na terça-feira em todo o país, entre elas 12 manifestantes em Lagos, onde o Exército e a polícia dispararam com armas de fogo contra os protestos, especialmente na área de Lekki, segundo a Anistia Internacional. Desde o início das manifestações, há duas semanas, 56 pessoas morreram em todo o país, de acordo com a ONG.

Milhares de jovens nas grandes cidades da Nigéria, inicialmente mobilizados via redes sociais, estão há 15 dias indo às ruas para denunciar a violência policial e a ineficácia e corrupção do poder central.

Nesta quinta-feira (22) vários disparos foram ouvidos e uma espessa fumaça preta emanava do teto da prisão central de Lagos, segundo uma jornalista da AFP. "Estão atacando a prisão", declararam os policiais perto do centro penitenciário. No meio da tarde, "a situação se tranquilizou e parecia sob controle", segundo um morador.

- Polícia e Exército negam responsabilidade - 

A polícia e o Exército, acusados pela matança, negam responsabilidade, mas os vídeos gravados em Lekki mostram militares disparando contra a multidão, que agitava bandeiras e cantava o Hino Nacional.

As imagens percorrem as redes sociais desde a noite de terça-feira e provocaram uma onda de indignação entre centenas de jovens. Várias delegacias, as sedes de um canal de televisão e da Autoridade Portuária, assim como um terminal de ônibus, foram incendiados. Houve confrontos violentos entre as forças de segurança e jovens em vários bairros da cidade.

A repressão às manifestações foi condenada internacionalmente. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, criticou nesta quinta-feira "o uso excessivo da força" pelo Exército na Nigéria. "Os Estados Unidos condenam energicamente o uso excessivo da força por parte dos militares que dispararam contra manifestantes pacíficos em Lagos, causando mortes e feridos", disse Pompeo, pedindo que haja uma investigação imediata sobre o ocorrido.

A União Europeia, por sua vez, julgou "crucial que os responsáveis por esses abusos compareçam à Justiça e prestem contas", enquanto a ONU pediu "o fim da brutalidade e dos abusos policiais na Nigéria". 

O candidato a presidência dos Estados Unidos Joe Biden pediu "ao presidente Buhari e aos militares que cessem a violenta repressão que custou a vida de vários manifestantes", escreveu em seu site.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, considerou que "parece bastante claro que as forças nigerianas recorreram excessivamente ao uso da força, disparando e matando com balas reais".

bur-cma/thm/me/mb/aa/lb