Para Tombini, cenário do País é de recuperação

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o cenário de recuperação no Brasil é de crescimento, ainda que de forma mais lenta. Ele salientou que esse quadro de aumento da atividade se materializa em um "ambiente de inflação sob controle".

Tombini acredita que a inflação convergirá para a meta ao longo de 2013. E apontou alguns fatores que corroboram sua avaliação. O primeiro é a expectativa de que o reajuste do salário mínimo será menor do que em 2012, o que tende a gerar repercussões sobre os custos de produção. Também o setor público aponta, conforme o presidente do BC, menor aumento salarial nos próximos três anos. Essa perspectiva está "mais condizente", de acordo com ele, com o nível de aumento da produtividade do trabalho brasileiro.

O segundo ponto citado foi o das perspectivas de moderação de "certos preços de ativos reais e financeiros, dada as condições vigentes da economia". Tombini enfatizou que o regime de câmbio brasileiro é flutuante e não deve ser visto como um incentivo a apostas que exacerbam a volatilidade.

O terceiro está relacionado com a expectativa de impacto sobre os preços das medidas adotadas pelo governo e que devem reduzir custos de produção e aumentar a competitividade. O quarto foi sobre a expansão de crédito. Tombini afirmou que, apesar de haver espaço para aumentar a oferta para pessoa física, isso tende a ocorrer em linha com a disponibilidade da renda disponível.

O quinto ponto foi o da situação internacional. "Apesar de sinais de estabilização do cenário global, ele ainda é frágil", considerou, acrescentando que pode ser visto como um fator de contenção da demanda agregada à frente. "Nesse contexto, a estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2013", disse. Ele acrescentou, porém, que o BC "mantém-se vigilante" com o comportamento da inflação.

Tombini avalia que o processo de recuperação da atividade já pode ser observado neste segundo semestre e deve se intensificar no próximo ano. Segundo ele, a produção industrial tem mostrado tendência de crescimento nos últimos meses, a produção de grãos deve bater novo recorde este ano e as perspectivas são favoráveis com relação ao setor de serviços. "A estabilidade (de serviços) no terceiro trimestre do ano revelou um evento que tende a não se repetir", disse.

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